10 Perguntas e respostas dissertativas sobre O Mal-Estar na Civilização

Perguntas sobre O Mal-Estar na Civilização com respostas

Algumas perguntas e respostas sobre o livro O Mal-Estar na Civilização de Sigmund Freud, para que você possa avaliar o quanto aprendeu sobre a obra depois de seguir o nosso Guia de estudo.

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1. Considere a crítica de Freud ao pensamento comunista. Onde é que Freud concorda com ideias comunistas? Onde é que ele discorda?


A principal crítica de Freud do comunismo não diz respeito a seu interesse em abolir a propriedade privada. Em vez disso, Freud contesta a teoria da humanidade implícita no pensamento comunista.

Comunismo argumenta que a agressão humana e opressão são o resultado da propriedade privada; Freud, ao contrário, argumenta que os impulsos agressivos humanos estão mais profundamente enraizados do que isso. O comportamento violento antecede a propriedade, ele diz, e provavelmente será uma parte da humanidade sempre.

2. Como é que Freud explica, em termos psicanalíticos, o sentimento “oceânico”, que se destaca tanto na religião organizada? Será que ele considera esse sentimento como um resultado da religião, ou alguma experiência anterior?

Freud considera o sentimento oceânico da eternidade sendo um vestígio da experiência de uma criança de totalidade e unidade com o mundo. Originalmente, Freud propõe, uma criança não entende a diferença entre seu próprio corpo – seu ego – e o mundo exterior. Com o tempo, ela desenvolve um sentimento de ego, ou seja, de “eu”. No entanto, a memória primal dessa unidade com o mundo permanece. Religião aproveita desse sentimento de significado eterno, dando-lhe um vocabulário específico, mas do ponto de vista de Freud o sentimento oceânico na verdade não vem da religião.

3. Discuta a noção de felicidade de Freud. O que Freud considera ser a principal via de felicidade humana? Quais são algumas rotas alternativas que a felicidade pode tomar?

Freud escreve: “O que é chamado de felicidade no seu sentido mais restrito vem da satisfação – na maioria das vezes instantânea – das necessidades reprimidas que atingiram grande intensidade, e que por sua própria natureza só pode ser uma experiência transitória.” Assim, ele concebe a felicidade como um alívio momentâneo ou indulgência dos desejos instintivos e necessidades contidas. A forma de liberação é primariamente sexual. Para Freud, toda a felicidade toma sua forma de êxtase intenso experimentado em orgasmo. Em manifestações de derivativos, a felicidade também pode ser encontrada através da busca de artes e ciências e através da contemplação da beleza.

4. Freud abre sua obra com uma longa comparação do desenvolvimento psicológico com outras formas de desenvolvimento – em particular, o crescimento das cidades. O que ele realiza com essa comparação? O que ele diz especificamente sobre isso?

A comparação de Freud é realmente uma busca por uma representação metafórica do desenvolvimento da mente como ele a vê. Freud pensa que embora os seres humanos se desenvolvam e mudem, eles sempre mantem seus estados anteriores de existência. Assim, a vida mental infantil existe em algum lugar no fundo da forma adulta, e todas as formas intermediárias também continuam a viver. Freud utiliza a cidade de Roma, em especial, para ilustrar este fenômeno; Roma existe em camadas, com estruturas milenares permanecendo ao lado de arranha-céus modernos. O uso de uma cidade, especialmente em uma civilização tão proeminente quanto Roma, também introduz o tema de comparar a psique individual com a psique coletiva de uma civilização.

5. Freud propõe que, em uma cultura “civilizada”, quanto mais santo se é, mais pecaminoso se pensa ser. Como ele explica esse paradoxo?

Freud observa que o comportamento ‘santo’ é o resultado de um forte superego. Como prova, ele cita observações clínicas de Franz Alexander de uma correlação entre o rigor da paternidade e a força desse desenvolvimento do superego. Onde a paternidade é negligente, a criança é capaz de transformar suas censuras sem seus pais; onde a parentalidade é atenciosa e irrepreensível, a criança transforma essa energia de volta em forma de crítica sobre si mesma. Assim, ela constrói uma superego implacável que a enche de culpa não importa quão bem comportada ela possa ser.

6. Freud mistura evidências científicas com citação poética ao longo de sua redação. Qual é o efeito desse método retórico?

A mistura que Freud faz de ciência com a literatura sempre foi uma faca de dois gumes – por um lado, tem ajudado a fazer a sua escrita amplamente acessível para além dos limites da psicanálise, por outro, tem fornecido alimento para os críticos que procuram desacreditar as pretensões científicas de Freud.

O efeito geral, pode-se dizer, é uma tentativa de colocar as suas observações sobre o nível universal de realização estética. Freud tem um grande respeito pela obra literária, como é imediatamente evidente em sua história sobre o sentimento “oceânico”; ao mesmo tempo, ele deseja entender esta realização em termos de psicanálise. Sua capacidade de explicar fenômeno estético em termos psicanalíticos liga as estruturas mais profundas da psique com as produções mais duradouras da arte humana. Assim, Freud mostra a importância de suas ideias – o complexo de Édipo, por exemplo –  se une indiscutivelmente a significativa obras de arte Édipo Rei, de Sófocles.

7. O que Freud diz sobre o mandamento bíblico de “amar o teu próximo como a ti mesmo”?

Freud considera esta máxima sendo mais velha do que o cristianismo, mas não particularmente velha em termos da história da humanidade. Ele também considera que é absurda e desvantajosa. O impulso natural do homem é amar a si mesmo e aqueles caros a ele – amar, em outras palavras, as pessoas que o amam. A noção cristã de amar os inimigos, neste contexto, é ridícula para Freud e difícil de seguir na prática.

Na verdade, além do santo ocasional, os cristãos têm tido dificuldades para seguir esse mandamento, como pode-se perceber por atos que demonstram ódio a seus inimigos ao longo da sua história, como a sua longa história de perseguir judeus e hereges. Essa questão de amar os pertencentes ao grupo e odiar os que estão fora é bem trabalhada por Freud em Psicologia de grupo e a análise do ego.

8. O que Freud quer dizer com os seguintes termos e como ele liga-os?: superego, consciência, sentimento de culpa, necessidade de punição, remorso.

  • O superego é uma instância psicológica, o “eu superior”.
  • “Consciência” é uma das funções do superego, que atua como um censor e supervisor das intenções do ego.
  • O “sentimento de culpa” é o grau em que o superego sente culpa; assim também corresponde à força da própria consciência.
  • A “necessidade de punição” é um sentimento masoquista dentro do ego, que está sendo atormentado por um superego sádico.
  • “Remorso” é uma experiência de culpa que ocorre após a ação indutora de culpa ter ocorrido.

9. Freud se preocupa com os impulsos masoquistas e sádicos na vida humana. Como ele explica a origem desses impulsos? Quais são algumas das consequências sociais e culturais desses fenômenos?

Freud propõe que os dois instintos que ele identifica pela primeira vez em Além do Princípio do Prazer – os instintos de vida e morte – sempre coexistem. Quando destrutividade (Tânatos / pulsão de morte) e Eros (o instinto de vida) se misturam e são dirigidas para dentro, o resultado é o masoquismo – uma excitação sexual através de ações autodestrutivas. Quando eles se misturam e são dirigidos para fora, o resultado é o sadismo – uma excitação sexual através da dor dos outros.

Freud vê a prevalência de sadismo e masoquismo na sociedade civilizada como prova do fortalecimento do superego sobre o qual a sociedade depende. O superego assume enorme importância e, em alguns casos, atua como sadista em relação ao ego masoquista.

10. Em uma longa nota de rodapé no início do capítulo 4, Freud especula sobre a transição da sexualidade principalmente olfativa dos animais, à sexualidade principalmente visual da humanidade. Descreva este modelo evolutivo especulativo.

Freud argumenta que a mudança da sexualidade olfativa à sexualidade visual ocorreu quando, em seu curso evolutivo, o homem passou de rastreamento para caminhar na posição vertical. Neste ponto, os órgãos genitais foram expostos e exigiram proteção, que inspirou os sentimentos de vergonha. Com a mudança para a excitação visual, a excitação olfativa anterior (o que corresponderia com o ciclo menstrual) tornou-se um tabu – daí a presença de tabus menstruais periódicos na maioria das culturas nativas.

Em última análise, Freud sugere que a mudança para a sexualidade visual alterou a periodicidade da excitação; Considerando que os seres humanos foram uma vez ligados ao ciclo menstrual para a fertilidade, tornaram-se permanentemente capazes de excitação com a mudança para andar na posição vertical.


GUIA DE ESTUDO COMPLETO

1. Guia de estudo: O Mal-estar na Civilização de Sigmund Freud

2. O Mal-Estar na Civilização – Sigmund Freud | Resumo

3. Glossário: O Mal-Estar na Civilização – Sigmund Freud

4. Temas abordados no livro O Mal-Estar na Civilização de Sigmund Freud

5. O Mal-Estar na Civilização: Resumo dos Capítulos 1 e 2 + Análise

6. O Mal-Estar na Civilização: Resumo dos Capítulos 3 e 4

7. O Mal-Estar na Civilização: Resumo dos Capítulos 5 e 6 + Análise

8. O Mal-Estar na Civilização: Resumo dos Capítulos 7 e 8 (final) + Análise

9. 10 Perguntas e respostas dissertativas sobre O Mal-Estar na Civilização


Referências:

Christian, Adam. Miller, W.C. ed. “Civilization and Its Discontents Chapters 5-6 Summary and Analysis”. GradeSaver, 20 July 2008 Web. 8 October 2016.

Freud, S.(1930) Obras psicológicas completas da ed Standard Brasileira. O Mal-Estar na Civilização. Rio de Janeiro: Imago Editora


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