O Mal-Estar na Civilização: Resumo dos Capítulos 3 e 4

Análise e resumo do livro O Mal-Estar na Civilização: Capítulos 3 e 4

Esse post é uma continuação do nosso Guia de Estudo sobre O Mal-Estar na Civilização de Sigmund Freud.

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Capítulo 3 de O Mal-Estar na Civilização – Resumo

Freud começa por defender sua que a civilização é responsável por nossa miséria: nos organizamos em sociedade civilizada para escapar do sofrimento, só para infligi-lo de volta sobre nós mesmos.

Freud identifica três eventos históricos importantes que produziram essa desilusão com a civilização humana:

  1. a vitória da cristandade sobre religiões pagãs (e consequentemente o baixo valor colocado sobre a vida terrena na doutrina cristã);
  2. a descoberta e conquista de tribos e povos primitivos, que pareciam aos europeus estarem vivendo mais felizes em um estado de natureza;
  3. Identificação científica do mecanismo de neuroses, que são causados pelas exigências frustrantes colocadas sobre o indivíduo na sociedade moderna.

Antagonismo em relação a civilização se desenvolveu quando as pessoas concluíram que apenas uma redução dessas exigências – em outras palavras, a retirada das imposições da sociedade – levaria a uma maior felicidade.

A tecnologia também traz a promessa de uma vida melhor e maior felicidade, mas Freud contesta a noção de que os avanços na tecnologia automaticamente melhoram a nossa qualidade de vida. Por outro lado, é difícil medir a felicidade do homem em uma época anterior porque “felicidade” é um sentimento essencialmente subjetivo. As pessoas em situações extremas de infelicidade também podem ser insensíveis ao seu próprio sofrimento.

A civilização pode ser definida como a soma total das realizações humanas e regulamentos destinados a proteger homens contra a natureza e “ajustar suas relações mútuas.” Os avanços tecnológicos têm melhorado o nosso poder contra a natureza, mas também as nossas capacidades de percepção sensorial através de invenções como o telefone e fotografia. Estas invenções tem dado ao homem uma sensação de onipotência e onisciência anteriormente atribuída apenas aos deuses. Freud vai tão longe a ponto de chamar o homem de “Deus protético.”

Além da proteção contra a natureza, outras expectativas de viver em uma sociedade civilizada incluem beleza (a experiência estética de várias formas de arte e expressão artística), limpeza (em termos de higiene pessoal e saneamento público), ordem (um princípio introduzido pelas ciências e que aprendemos com a nossa observação da natureza). Freud defende a sua inclusão de beleza dentro de sua lista de expectativas. De acordo com ele, a civilização não está focada exclusivamente no que é útil. O cultivo de atividades mentais superiores do homem é um dos objetivos centrais da civilização, e alcança este objetivo, em parte, através da produção de arte.

Quanto à regulamentação de nossas “relações mútuas”, um “passo decisivo” em direção à civilização reside na substituição do poder do indivíduo, pelo da comunidade. Mas esta substituição, doravante, restringe as possibilidades de satisfação individual no interesse da lei, da ordem e da justiça. Sociedades civilizadas colocam o Estado de direito sobre os instintos individuais. Aqui Freud faz uma analogia entre a evolução da civilização e o desenvolvimento libidinal do indivíduo, identificando três fases paralelas, em que cada uma ocorre:

  1. carácter de formação (aquisição de uma identidade);
  2. sublimação (canalização da energia primal para outras atividades físicas ou psicológicas);
  3. não-satisfação / renúncia dos instintos (enterro de impulsos agressivos no indivíduo; imposição do Estado de direito na sociedade).

Capítulo 4 de O Mal-Estar na Civilização – Resumo

A vida comunitária dos seres humanos tem as suas raízes na compulsão para trabalhar (criada por necessidade externa) e o poder do amor (ou falta de vontade de ser privado de um objeto sexual). Freud conjectura que “erotismo genital” estimulou a formação de relações humanas duráveis, tornando a satisfação do prazer sexual o protótipo de outras formas de felicidade que poderiam ser alcançadas com e através de companheirismo. Tendo em conta os riscos do amor, algumas pessoas fazem-se independentes dos objetos de amor individuais e em vez disso dedicam-se a um amor universal por toda a humanidade, tipificado pelos santos cristãos. Freud chama esse fenômeno de “amor com o objetivo inibido.”

Mesmo que uma das principais finalidades da cultura humana seja a de vincular os homens “libidinalmente” uns aos outros, amor e civilização, eventualmente, entram em conflito. Freud identifica várias razões diferentes para este antagonismo mais tarde. Por um lado, unidades familiares tendem a isolar-se e impedir que os indivíduos se desprendam e amadureçam por conta própria. As mulheres em particular têm, de acordo com Freud, uma influência moderadora sobre as crianças e entram em oposição com a civilização por ressentimento sobre a intimidade e amor que as exigências do trabalho, necessariamente, levam para longe de suas relações conjugais.

A civilização esgota a energia sexual, desviando-a em empreendimentos culturais. Ela também restringe escolhas objeto de amor e mutila nossas vidas eróticas. Tabus (contra o incesto, em primeiro lugar), leis e costumes impõe mais restrições. Medo da revolta sexual leva a medidas de precaução que começam na infância.

Para Freud, a civilização da Europa Ocidental representa uma grande marca de água na regulação da sexualidade. Mesmo heterossexualidade, praticada livremente e endossada pela sociedade, é forçosamente canalizada para a monogamia e casamento. Mesmo onde a sociedade deixa de regular e colocar um fim a um comportamento que considere transgressivo, ela ainda tem um efeito prejudicando sensivelmente a vida sexual das pessoas.


Christian, Adam. Miller, W.C. ed. “Civilization and Its Discontents Summary”. GradeSaver, 20 July 2008 Web. 5 October 2016.

Freud, S.(1930) Obras psicológicas completas da ed Standard Brasileira. O Mal-Estar na Civilização. Rio de Janeiro: Imago Editora



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