Construções em análise (Freud, 1937) – Resumo

Um argumento comumente utilizado até hoje como crítica à Psicanálise é de que o analista pode querer impor sua interpretação (construção) sobre o material apresentado pelo analisando. E caso este não concorde com essa interpretação, o analista pode alegar que isso se deve à resistência do sujeito em aceitar a verdade.


Foi interessante descobrir que em Construções na Análise, em 1937, Freud já havia tratado dessa questão. Nesse texto, ele fala sobre como se costuma avaliar o “não” e o “sim” do paciente em relação às comunicações sobre seu material psíquico feitas pelo analista durante o tratamento analítico.


Leia os resumos anteriores:


Resumo do texto Construções em análise (Freud, 1937)

A tarefa do psicanalista é construir (ou reconstruir) o que foi esquecido devido ao recalcamento – um mecanismo de defesa do psiquismo. O uso do termo construção na análise não é tão comum quanto o uso do termo interpretação, apesar de o primeiro ser considerado por Freud infinitamente mais adequado. Essa construção se refere à uma parte da história esquecida do analisando, enquanto interpretação refere-se ao que é feito a partir de um único elemento do material (atos falhos, ocorrências e semelhantes).

O “sim” do paciente à comunicação do analista pode significar que ele acredita que a construção está correta, mas pode ser também uma expressão da resistência – que quer continuar ocultando a verdade. Esse “sim” só é valorizado quando o paciente fornece confirmações indiretas, produzindo novas lembranças que acrescentam informações à construção.

O “não” do analisando frente à comunicação do analista pode (em raros casos) expressar uma rejeição justificada, mas frequentemente expressa uma resistência ao conteúdo da construção. Mas o “não” do paciente não prova que a construção está correta, a única interpretação segura é que a construção não lhe disse tudo – afinal, toda construção revela apenas uma parte do material esquecido.

A conclusão é que um “sim” ou “não” do paciente frente à construção que lhe é apresentada não é o suficiente para avaliar se esta construção está correta ou não, porém o analista pode contar com as confirmações indiretas, que servem como evidências que apoiam ou contradizem sua hipótese.

No caso de análise onde há uma reação terapêutica negativa – como consciência de culpa, necessidade masoquista de sofrimento e relutância contra a ajuda do analista – o paciente pode reagir de forma que deixa claro se a construção é correta ou não: nada muda nele se a construção está errada, mas caso esteja correta ou se aproxime da verdade pode haver piora dos sintomas.

Em resumo: a psicanálise não despreza as reações do analisando às construções que lhe são apresentadas e não atribui a rejeição às “interpretações” do analista sempre à resistência do paciente. Mas essas reações podem ter vários significados, e não devem ser o único fator decisivo da análise. A construção na análise é considerada apenas uma suposição, sujeita à verificação, à comprovação ou descarte.

A construção deveria levar à recordação do paciente, o que nem sempre acontece. Mas a convicção do paciente sobre a verdade da construção tem o mesmo efeito da recordação, do ponto de vista terapêutico.

Considerações finais sobre o texto

A crítica que afirma que a psicanálise atribui à resistência do paciente sua não aceitação do que lhe é dito sobre seu psiquismo não se sustenta.

Claro que é possível que um analista faça mal uso de sua função e cometa esse tipo de erro, pois em todas as áreas existem profissionais ruins. No entanto, isso nada tem a ver com a teoria psicanalítica.

Apesar do fato de Freud já ter respondido a esse tipo de crítica há mais de oitenta anos atrás, ela continua sendo utilizada nos dias de hoje. Isso parece dizer mais do desconhecimento por parte críticos do que da teoria e técnica da Psicanálise.


Referências:

Freud, S. (2017). Fundamentos da Clínica Psicanalítica.

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