6 Mitos sobre Neurociência e Psicologia que muitos Professores acreditam

Muitos professores acreditam em mitos comuns sobre o cérebro. Provavelmente isso acontece porque as explicações simples são atraentes.


Os resultados foram encontrados por pesquisas com professores no Reino Unido, Turquia, Holanda, Grécia e China, relatados na revista Nature Reviews Neuroscience ( Howard-Jones, 2014 ).

1. Mito: cérebro direito / cérebro esquerdo

Cerca de 70% dos professores acreditam que uma pessoa tem um “cérebro direito” ou “cérebro esquerdo”.

Evidências de mais de 1.000 exames cerebrais de ressonância magnética funcional já desacreditaram esse mito de que as pessoas possuem personalidades do tipo “cérebro direito” ou “cérebro esquerdo”.

2. Mito: Você usa apenas 10% do seu cérebro

Cerca de metade dos professores acreditavam no mito de que as pessoas usam apenas 10% da capacidade do cérebro. (Raulzito também acreditava).

Esse é um mito muito duradouro e atraente, talvez porque seja reconfortante pensar que temos capacidade ociosa no cérebro, ou que temos um potencial inexplorado.

Como seria alguém que usasse 100% da capacidade do cérebro? Lucy dá uma resposta interessante:

Fora da ficção, esse mito é usado para, por exemplo, vender produtos para aumentar o desempenho do cérebro e como explicação para a capacidade de dobrar talheres segundo médiums como Yuri Geller.

 

3. Mito: Açúcar reduz a atenção

Cerca de 50% dos entrevistados acreditavam que depois de comer lanches ou beber bebidas açucaradas as crianças se tornavam menos atentas. Esse mito provavelmente tem origem nos elos fracos encontrados nas primeiras pesquisas relacionando o consumo de açúcar e o TDAH. Esse link não é comprovado e, na melhor das hipóteses, é fraco.

4. Mito: estilos de aprendizagem

Mais de 90% dos professores acredita que existem estilos de aprendizagem “preferidos”: auditivo, cinestésico ou visual. De acordo com essa ideia, os alunos aprendem melhor se forem ensinados de acordo com seu estilo de aprendizagem preferido.

Por exemplo, se uma pessoa quisesse aprender Psicologia:

Porém, entretando, todavia, contudo…não há evidências científicas para isso e não há comprovação científica de que há um melhor aprendizado por meio do ensino adaptado aos estilos de aprendizagem individuais auditivo, cinestésico ou visual.

Muito frequentemente eu vejo gente repetindo esse mito isso por aí, e provavelmente você também.

5. Mito: o encolhimento do cérebro por falta de água

Cerca de 25% dos professores acredita que, se as pessoas não bebem de seis a oito copos de água por dia, seus cérebros vão encolher.

Não é verdade.

6. Mito: Exercícios melhoram a comunicação entre os hemisférios cerebrais

Cerca de 2/3 dos professores acreditava que um curto período de exercício melhora a comunicação entre os hemisférios do cérebro.

Na realidade, não existem evidências de que o exercício dessa maneira possa ajudar na transferência de informações entre hemisférios.

Essa é uma alegação é simplesmente infundada.

 

… E mais neuromitos

Alguns outros mitos nos quais alguns professores acreditavam:

  • ambientes ricos estimulam a mente de crianças em idade pré-escolar (é um mito),
  • Beber regularmente bebidas com cafeína diminui o estado de alerta (mito!),
  • problemas de aprendizagem  não podem  ser amenizados pela educação (um mito endossado por cerca de 1 em cada 7 professores)

O Dr. Paul Howard-Jones, autor do estudo, disse:

“Essas ideias são frequentemente vendidas a professores como baseadas em neurociência – mas a neurociência moderna não pode ser usada para apoiá-las.

Essas ideias não têm valor educacional e são frequentemente associadas à prática precária na sala de aula. ”

Leia também:


Referências:

Paul A. Howard-Jones, 2014. Neuroscience and education: myths and messages. Nature Reviews Neuroscience, volume 15, pages 817–824.

Via Psyblog.


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8 comentários em “6 Mitos sobre Neurociência e Psicologia que muitos Professores acreditam

  • 15/05/2018 em 23:17
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    Então, eu não sei se está relacionado ou não, mas estudar, pra mim, sempre foi um parto. Até chegar na faculdade, aí era um parto de trigêmeos. Porém, foi quando eu descobri que: calculo e relacionados, eu estudo melhor ouvindo rock. Parte teórica, música clássica, opera e trilhas sonoras. O resto, silencio total, qualquer som, barulho, qualquer coisa e já era tudo. Literalmente tudo, preciso voltar pro inicio e revisar, praticamente estudar novamente. Agora, TUDO precisa ser colorido, é como me lembro da matéria, pelas cores. Perdi vários cadernos e apostilas na faculdade, porque todo mundo queria os meus pra estudar. Isso seria relacionado, no caso, mais a memória ou aprendizado?

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    • 16/05/2018 em 16:52
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      Memória e aprendizagem estão intrincados.

      Não dá pra negar que existem particularidades em como cada um aprende (como as várias que você citou). Tem gente que estuda com música, tem gente que acha isso impossível. Pode variar de acordo com o tipo de conteúdo estudado, e com várias outros fatores.

      A “teoria” dos estilos de aprendizagem (visual, auditivo e cinestésico) é considerada mito porque não tem evidências científicas que a sustentem. Um exemplo de outra “teoria” sem base é a “inteligência multifocal” do Augusto Cury. Esse próprio autor já disse que não tem referências para a teoria porque ela é totalmente original. Pode vender muito livro, mas não é assim que a ciência funciona.

      Na prática nós vemos essas particularidades na forma de aprender. Por exemplo: tem gente que aprende bem ouvindo um audiolivro, enquanto tem quem não consiga se concentrar mais de um minuto ouvindo um aúdio. Talvez apenas faltem estudos que nos ajudem a entender e a sistematizar esses “estilos de aprendizagem”, com uma base teórica sólida.

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      • 16/05/2018 em 18:34
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        Oi Thiago,

        Ah não, eu entendo isso. Comprovação científica demanda vários fatores. Entendo quando diz que não há estudos suficientes. Apenas me pergunto a razão de ainda não terem chegado a alguma conclusão, de não terem comprovado ainda (Seja comprovando ou negando). Até porque, acho fundamental mais estudos nessa parte.

        Por sofrer com TDAH (que muitos dizem ser uma mentira criada pela industria farmacêutica e bla bla bla) descobrir um método ou forma como meu cérebro trabalha, teria me poupado, e muito, dores de cabeça sem fim. Tive que faze-lo sozinha e só na faculdade.

        Infelizmente, não é minha área, mas eu estudaria neurociência com prazer, só pra chegar a alguma conclusão (ou perto o suficiente). Porque o que mais vi na faculdade, eram pessoas brilhantes, realmente brilhantes, nem chegarem a se formar.

        Espero que estejam focando mais nesse campo, porque, não obstante a nossa educação estar ultrapassada, os professores também estão e nessa área, completamente desamparados.

        Obrigada pela resposta!

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        • 17/05/2018 em 13:05
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          Boa questão. Eu vejo muitos novos estudos (do exterior) sobre aprendizagem, acredito que teremos boas contribuições no entendimento do tema.

          A questão do TDAH é muito discutida mesmo. Até onde sei no momento, o grande problema é o excesso indevido de diagnósticos e medicalização. Dizer que o transtorno não existe me parece muito radical (mas eu já vi quem defenda esse lado também).

          Infelizmente acontece muito isso mesmo: a gente tem que descobrir nossa própria melhor forma de aprender. Mas é comum também termos que nos sujeitar às formas instituídas, que muitas vezes não favorecem as singularidades. Exemplo: tem gente que aprende muito bem sozinho, e só precisaria da ajuda do professor pra tirar dúvidas ou pra uma orientação, enquanto vai às aulas e só tá lá “em corpo”, porque não se concentra. Mesmo assim, existe uma frequência exigida em sala de aula, como se assinar lista de presença ou estar presente em algum espaço físico garantisse aprendizagem.

          Obrigado pela contribuição na discussão. É sempre bom pensar e conversar sobre aprendizagem e sobre os processos educativos.

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          • 17/05/2018 em 21:28
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            Opa Thiago, obrigada mesmo!

            Eu ia te responder, porque cheguei a escrever um textão com direito a depoimento e tudo. rsrs Mas você tem outros posts pra prestar atenção e escrever.
            De qualquer forma, o que eu tirei das minhas experiencias e do meu filho é que, falta vontade de aprender em alguns profissionais.

            Nunca vou entender um professor não procurar entender ou aprender sobre problemas como dislexia, TDAH, depressão infantil entre tantos. Devem existir cursos de atualização ou, no caso, capacitação, porque vi a diferença de profissionais entre escolas. Alguns não sabem o que fazer e outros, realmente, não se importam.

            Mais uma vez obrigada. Discutir sobre o assunto é sempre esclarecedor e empolgante. E espero que cheguem novas pesquisas mostrando novos rumos. Por exemplo, vou me preocupar mais com o Omega 3. 😉
            Obrigada pelos peixes.

          • 18/05/2018 em 11:59
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            Fica à vontade. Pra se aprofundar nas discussões tem que ter textão mesmo haha

            Realmente muitos professores não sabem lidar com problemas de aprendizagem, o que contribui para a culpabilização no aluno, em vez de pensar sobre o próprio sistema de ensino como um todo (que inclui os professores).

            Agradeço pela sua contribuição. Fique à vontade pra comentar sempre que quiser 😉

    • 01/06/2018 em 16:59
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      O problema nem é totalmente seu.

      Em tese, deveriamos estudar melhor na faculdade, afinal foi o curso que escolhemos. Na prática, professores de faculdade (especialmente as públicas) NÃO servem para NADA.

      A maioria até atrapalha o aprendizado. No meu pré-vestibular, raramente tirava nota menor do que 8, depois que passei na UFC (Federal do Ceará) ficou comum tirar até ZERO (0) em algumas provas.

      Sou eu que sou mal aluno? Claro que não. Os funcionários públicos que abusam da estabilidade. E até mesmo alguns de particular pensam que são estáveis porque tem prestígio, colocam medo nos alunos, ai ninguém reclama.

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  • 15/05/2018 em 23:22
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    Ah! Só complementando:
    Não pegavam meus cadernos porque eram coloridos, mas porque, se eu parar pra prestar atenção ao professor, eu só me situo (descubro onde estou), no fim da aula, então eu baixo a cabeça e escrevo TUDO o que o professor fala. Transcrevo na verdade.
    Não era sempre que eu desligava, mas é melhor não arriscar né?

    Resposta

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