Abordagem biológica à delinquência

Explicações da delinquência com base em fatores biológicos estão entre as primeiras teorias em criminologia. Os avanços da medicina, particularmente em 1800, levaram ao pressuposto subjacente dos teóricos iniciais de que, se a composição biológica do indivíduo ditava as suas capacidades físicas, estas características também poderiam contribuir para o tipo de comportamento exibido pela pessoa.

Leonardo DiCaprio em Diário de um Adolescente (1995)

As explicações biológicas no início focaram fortemente em características físicas observáveis dos infratores. O argumento básico era que os infratores poderiam ser identificados por sua aparência, como pensavam Sheldon (1949) e Cesare Lombroso, que é considerado o pai da moderna criminologia. Mas estudos de somatotipo apresentam diversos problemas metodológicos. Com base nesses problemas, teorias que relacionam o tipo físico ao comportamento delinquente têm caído em desuso.

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Os estudos de herança genética

Explicações biológicas muitas vezes assumem uma forte contribuição genética para o comportamento. O fato de que as características físicas são claramente transmitidas de geração em geração levou alguns a estenderem essa mesma propensão a fatores não-físicos, tais como tendências comportamentais. Dois métodos básicos para inspecionar esta possibilidade são comparar o comportamento de gêmeos e comparar o comportamento dos filhos com o comportamento de seus pais biológicos. Em ambos os conjuntos de estudos, não é o comportamento criminoso que é considerado sendo herdado. Pelo contrário, são fatores, tais como baixo autocontrole, busca por sensações fortes e temperamento que são herdados, e podem levar à criminalidade (Eysenck e Gudjonsson, 1989; Mednick e Christiansen, 1977; Rowe, 2002).

Até o momento, os teóricos não forneceram forte apoio para seus argumentos genéticos. Isso não quer dizer que a genética não detêm influência sobre o comportamento. As pesquisas genéticas ainda estão em sua infância, e os futuros avanços podem revelar contribuições para um ampla gama de comportamentos. No entanto, o problema de separar as influências ambientais dos componentes genéticos continuará a ser uma preocupação séria.

Fatores biossociais

A tendência recente na busca de explicações biológicas do comportamento envolve abordagens biossociais, que se referem à ideia de que a composição biológica do organismo e o meio ambiente estão intimamente relacionados. A biossociologia vê a ocorrência de desvios comportamentais quando certas condições biológicas coincidem com certos fatores sociológicos e ambientais.

Por exemplo, um indivíduo com uma deficiência hormonal congênita pode ser excessivamente agressivo em situações em que ele é forçado a fazer uma escolha entre lutar ou fugir. Este indivíduo, no entanto, não procura tais situações ou torna-se agressivo sem o estímulo externo. As modernas explicações biológicas do comportamento para a delinquência juvenil, portanto, acomodam tanto fatores biológicos quanto fatores sociológicos.


Referências:

WHITEHEAD, John T.; LAB, Steven P. Juvenile Justice: An Introduction. 7ª edição. Routledge, 2012. 496 páginas.


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