Black Mirror: O que a Psicologia diz sobre a obsessão em Redes Sociais

O que a psicologia realmente diz sobre a sociedade tragicamente obcecada por Redes Sociais em Black Mirror

Artigo de  para o Business Insider

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Aviso: Spoilers do episódio 1 da 3 ª temporada de”Black Mirror” à frente.

Há uma razão para o primeiro episódio da nova temporada da estrondosa série da Netflix “Black Mirror” ser chamado de Nosedive (“queda livre”).

Ele prevê um mundo em que estamos completamente dependentes de mídia social. Cada um de nós persegue uma “classificação” desejável – uma pontuação máxima de 5 estrelas que é afetado por tudo, desde a conversa na hora do café até à falta de entusiasmo que você exibiu em reação ao presente de aniversário que seu colega de trabalho lhe deu.

Não é exagero do mundo em que vivemos agora. Esta é precisamente uma razão para “Black Mirror” ser tão atraente. Não é típica ficção científica, que prevê o mundo daqui a 100 ou 1.000 anos a partir de agora. Imagina o próximo ano. Próximo mês.

O princípio psicológico chamado de “esteira hedonista” é o verdadeiro combustível que, em teoria, nos conduz em direção a este futuro patético e debilitante. Em essência, estamos sempre à caça da próxima coisa que vai nos fazer sentir bem, é quase impossível para nós apenas ser – e apenas estar. Pesquisas sugerem que é uma das principais maneiras de se sentir verdadeiramente feliz.

A esteira hedônica

Todos as perseguições da Lacie se alinham perfeitamente com o princípio da esteira hedonista, que alguns psicólogos têm utilizado para explicar por que tantos de nós se sentem insatisfeitos com nossas vidas. Se conseguirmos uma promoção no trabalho, por exemplo, vamos comemorar e nos sentir bem por um momento, mas essas emoções alegres são fugazes. Em breve, vamos estar de volta para onde começamos – na caça para a próxima coisa que fará sentir-nos bem e, depois, infelizes. No início de 1990, psicólogo britânico Michael Eysenck comparou esta fome constante por mais e mais com uma escada rolante – daí o nome.

→ O filósofo Arthur Schopenhauer trabalha um conceito relacionado, que ele denominava como Vontade.

Eventualmente, esse impulso temporário na felicidade que começa a partir de uma promoção no trabalho ou proposta de casamento vai diminuir, e você estará de volta ao mesmo nível básico de felicidade que você estava antes da mudança emocionante.

Lacie Pound experimenta isso. Toda vez que ela recebe uma classificação de quatro ou cinco estrelas, os olhos azuis brilhantes se iluminam. Ela sorri e ri com uma alegria de alta frequência. Mas no final do dia, Lacie é solitária e insatisfeita. Ela vive com seu irmão, com o qual não se dá muito bem. Nós não vemos quaisquer de seus amigos mais próximos. Ela se sente alienada por seus colegas de trabalho. O casamento que ela está participando é de um amiga que ela não tem intimidade e em quem claramente não confia.

Na parte do episódio em que Lacie vê o apartamento de seus sonhos, ela vê uma cena de realidade virtual de si mesma fazendo o jantar na cozinha com um amante – e é esta visão romântica que parece incitá-la em busca da classificação de 4,5 estrelas. Ela quer companheirismo. Ela quer relacionamentos. E ela vai fazer qualquer coisa – mesmo que isso vá contra seus instintos, mesmo se é tudo, em última análise, uma grande mentira – para chegar lá.

Redes Sociais não nos fazem felizes

Infelizmente, Lacie continua a perseguir o que ela acha que vai fazê-la feliz, como uma alta classificação em redes sociais, enquanto ignora completamente as coisas que podem realmente fazê-la feliz, como amizades com seus colegas de trabalho ou uma relação real com seu irmão. No mundo real, muitos de nós cometemos o erro de Lacie uma e outra vez.

Estudo após estudo diz que quando nos envolvemos com as plataformas de mídia social como Facebook e Twitter, podemos sentir um impulso temporário pelos likes, mas não há absolutamente nenhuma ligação entre o uso de mídia social e felicidade a longo prazo. Algumas pesquisas sugerem o oposto, na verdade: que o uso de mídia social está relacionado com um aumento de sentimentos negativos.

Em janeiro um estudo de 1.787 jovens adultos norte-americanos patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, por exemplo, encontrou uma “associação forte e significativa entre o uso de mídia social e depressão.” Níveis de depressão dos participantes, os pesquisadores descobriram, aumentam juntamente com a quantidade total de tempo gasto usando a mídia social e o número de visitas semanais a plataformas de mídia social.

No entanto, impulsionada pela esteira hedonista, continuamos a usá-las.

Um limite para a nossa dependência de classificações

Felizmente, alguma pesquisa sugere que há um limite para o quanto este princípio hedônico acabará por nos conduzir. A pesquisa ajuda a explicar por que razão não nos limitamos a gastar todo o nosso tempo fazendo atividades prazerosas, e por que nós ainda de alguma forma conseguimos fazer coisas como trabalho e tarefas.

Claro, nós às vezes gravitamos em torno de coisas que nos fazem sentir bem no curto prazo. Mas também conseguimos fazer coisas que não são inerentemente agradáveis – como lavar a roupa ou os pratos – porque sabemos que essas atividades nos ajudarão a nos sentir satisfeitos no longo prazo.

Esta poderia ser uma boa notícia para aqueles de nós preocupados em nos transformar em um Lacie Pound. Quando nós estamos cientes que a mídia social não se transforma em felicidade a longo prazo, nós sempre nos retiramos dela – pelo menos temporariamente – para fazer coisas que vão nos dar essas recompensas a longo prazo.

Um estudo publicado em agosto na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, que analisou o tipo de atividades em que as pessoas se envolvem quando estão se sentindo felizes ou tristes, por exemplo, descobriu que tendemos a gravitar em torno de atividades chatas como tarefas quando estamos de bom humor. Por outro lado, fazemos as coisas como caminhadas ou beber com os amigos quando estamos nos sentindo para baixo.

“Nossa emoção positiva, talvez, pode ser vista como uma reserva”, disse Dr.Jordi Quoidbach , um dos principais autores do estudo e professor de psicologia na Universidade de Pompeu Fabra de Barcelona, ao Business Insider em agosto. “Quando não temos o suficiente, precisamos repô-la, mas assim que temos o suficiente, podemos potencialmente usar isso para fazer as coisas.”

De todas as atividades registradas que os pesquisadores estudaram, passar o tempo com outras pessoas teve o elo mais forte com as emoções positivas, enquanto que usar as redes sociais ou tinha uma ligação neutro ou ligeiramente negativa.

Em outras palavras, uma vez que a mídia social não faz nada para a nossa felicidade a longo prazo, é difícil imaginar uma sociedade em funcionamento que é 100% dependente dela. Se alguma vez tentarem criar uma, a maioria de nós provavelmente vai acabar como a Lacie Pound no final do episódio – gritando com um estranho de dentro de uma cela de prisão.

→ Tio Freud fala muito sobre a repressão dos instintos e sobre os vários danos que isso pode gerar. O Mal-estar na Civilização é um ótimo livro sobre o assunto.





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