Psiquê do Facebook: Id, Ego e Superego

  • Como o Facebook nos manipula através do Ego?
  • Como Freud explicaria o vício na rede social?
  • Mark Zuckerberg, o chefão todo-poderoso do Facebook, que já estudou psicologia, faz tudo friamente calculado?

Vamos responder (ou não) à essas 3 perguntas.


Versão em vídeo:

Hoje, pode parecer um pouco redutor, mas a ‘tripartição da psiquê’ de Freud ainda nos dá um modelo da psique que a maioria das pessoas pode relacionar. Não, você não pode encontrar essas três “instâncias psíquicas” dentro do cérebro como áreas discretas (embora alguns neurocientistas façam menções a vários processos descritos por elas), mas todos nós podemos relacionar de um modo geral a ideia de que temos pelo menos três aspectos conflitantes em nós mesmos. Estes departamentos conflitantes do self são refletidos nas redes sociais online que usamos.

Leia antes: A teoria do Inconsciente de Freud

As três partes da psique, fazendo uma caricatura, podem ser representadas por aquela velha história do diabinho e do anjinho que ficam no nosso ombro.

  • O id seria o diabinho
  • O Ego seria você
  • O Superego seria o anjinho

Mas como isso é muito simplista, vou explicar um pouco melhor:

O Id (literalmente ” ele”): O assento de nossas paixões e agressões, em grande parte inconsciente e geralmente socialmente inaceitável em sua forma bruta:

Conforme definido no Vocabulário da Psicanálise:   “o pólo instintivo da personalidade; seu conteúdo, como uma expressão dos instintos, é inconsciente, uma parte dos quais é hereditário e inato, uma porção reprimida e adquirida. . . o reservatório principal de energia psíquica [em conflito com] o ego e superego “(Laplanche e Pontalis, 1973).

O Ego (literalmente “Eu”): Essa parte da psique navega entre o nosso mundo interno e nosso mundo externo, mediando entre id e superego. Aquilo que nós entendemos como nossa subjetividade, o nosso “eu mesmo”:

O Superego  (o “sobre eu” ou superintendente do Eu):  Esta é a nossa consciência social, ou moralidade. Ele fica acima do nosso ego e realiza auto observação, geralmente em um estilo expectante de julgamento, é “constituído através da internalização de proibições e exigências dos pais” (Laplanche e Pontalis, 1973).

Facebook opera particularmente sobre os aspectos orientados ao exterior do ego

ego no facebook

Simplesmente,a noção de “curti” no Facebook é semelhante a uma necessidade do ego. O ego, como regra, procura ser amado e admirado. Seu trabalho principal é converter desejos do id  em resultados socialmente aceitáveis, ​​porque ele faz a mediação entre o mundo interior e o mundo externo. Para Freud, a energia principal do Id é a libido (energia sexual) – o ego, em vez de agir na necessidade do id para o sexo, iria converter esse desejo cru em algo mais socialmente aceitável, como fazer-se atraente para os outros, enquanto flerta ou seduz o outro para o sexo, em vez de tomá-lo contra a sua vontade. Hoje, nós temos expandido nossa noção de desejo instintivo além de apenas sexo para um  desejo mais global de se relacionar com os outros.  Facebook faz isso como nenhuma outra rede social.

Facebook usa o ego para criar e manter relacionamentos com outras pessoas online.

Ele faz isso pela criação de um ambiente onde nós criamos uma imagem de nós mesmos como desejamos que os outros nos vejam e como nós idealmente desejamos ver a nós mesmos.

É por isso que os recursos do Facebook colaboram para a manifestação externa do ego, e nos permitem esconder nossas expressões mais interiores da individualidade que contêm aspectos vulneráveis ​​ou vergonhosos que não desejamos compartilhar com os outros.

Por exemplo: No Facebook, eu posso tirar 350 selfies, e postar apenas aquela que ficou perfeita, além de adicionar uns filtros do Instagram, retirar as espinhas no Photoshop e etc. As outras 349 fotos em que eu pareço um zumbi de The Walking Dead, posso simplesmente ignorar e excluir. As pessoas no Facebook vão achar que sou lindo, praticamente uma versão masculina da Scarlett Johansson, em boa parte por causa do Viés de disponibilidade (vídeo em breve), nossa tendência em enxergar aquilo que está evidente diante dos olhos como a melhor manifestação da realidade, enquanto ignoramos todo universo que não estamos vendo.

Então, no Facebook e na internet em geral, você pode ser quem você quiser, pode ser a melhor versão possível de você mesmo, ou até mesmo ser outra pessoa – os fakes. Enquanto não existem os dislikes, você ignora todo mundo que não gostou do que você postou, enquanto isso os likes, comentários e compartilhamentos alimentam seu ego faminto por aprovação, te causando uma ótima sensação de aceitação e aprovação, e te estimulando a repetir esses comportamentos aprovados socialmente para obter mais aceitação e aprovação.

Tome cuidado pra não alimentar o ego demais e deixá-lo muito gordo. Em vez disso, alimente o meu ego dando like, compartilhando esse vídeo e comentando aí como sou legal, bonito e descolado, e sobre o quanto você queria andar comigo no recreio.

Por  Aaron Balick

Ps.: Vale lembrar que Tio Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, estudou psicologia 😉

 



 


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