Complexos de C. G. Jung – Como surgiram?

Associação de Palavras e os Complexos de Jung

Pode-se dizer que o desenvolvimento do conceito de complexos de Jung fora uma consequência do início do seu trabalho no hospital Burghölzli e a influência da pesquisa do diretor Eugen Bleuler. Este trabalhava em sua monografia a respeito da demência precoce que, após a publicação deste trabalho, em 1911, passar a ser conhecida como esquizofrenia. O estudo do diretor era baseado no associonismo, segundo Bleuler: “Toda a existência psíquica do passado e do presente com todas as suas experiências e lutas reflete-se na atividade associativa. Essa atividade é, portanto, índice de todos os processos psíquicos que necessitamos decifrar a fim de conhecer o homem total”.


Jung tornou-se colaborador de Bleuler e administrou experiências que possibilitaram a descoberta da dissociação da psi e daí surge o nome esquizofrenia (do grego: separar, fender), sendo abandonado o antigo conceito de demência precoce. As experiências consistiam na associação de palavras, organizava-se uma lista de palavras aleatórias (palavras indutoras) e a cada uma delas, o indivíduo examinado reagia com uma outra palavra (palavra induzida). A partir daí, por meio de um cronômetro era possível de se detectar o tempo de reação do indivíduo.

O tempo de reação e o comportamento apresentado pelo examinado eram observados atentamente pelo examinador e eram variáveis. Outros pesquisadores não davam a devida atenção às reações “anormais” dadas pelos indivíduos. Por exemplo, à reação a uma palavra poderia decorrer de manifestações fisiológicas (enrubescimento, risadas, nervosismo, falar mais que o necessário), enquanto para muitos isso era apenas um incômodo a ser tolerado durante a pesquisa, Jung percebeu que havia algo a mais ali, uma manifestação emocional. Este conteúdo emocional foi denominado por ele de “complexos afetivos” ou apenas “complexos”.

O vídeo abaixo exemplifica o funcionamento da pesquisa de associação de palavras que Jung conduziu.

Jung se deparou com doentes cujas funções se apresentavam todas dissociadas, o que parecia impossibilitar a associação de palavras. Entretanto ele insistiu e percebeu que, se utilizasse os neologismos dos próprios doentes, poderia atingir conteúdos emocionais (os complexos), de forma semelhante como naqueles cujo nível de dissociação apresentava-se menor.

Deve-se ressaltar que o método de associação (como evidenciado no vídeo) deixou de ser utilizado por Jung, uma vez que ele se sentia capaz de detectar os complexos diretamente pela observação. Os complexos nada mais são que conteúdo psíquico carregado de afetividade, imersos no inconsciente e capazes de atingir nosso estado emocional. Nas palavras de Nise da Silveira “Como demônios soltos, infernizam a vida no lar e no trabalho.”

Evolução do Conceito

Em 1934, Jung redigiu um breve trabalho: Revisão da teoria dos complexos, em que os define como “A imagem de situações psíquicas fortemente carregadas de emoção e incompatíveis com a atitude e a atmosfera consciente habituais. Essa imagem é dotada de coesão interna, de uma espécie de totalidade própria e de um grau relativamente elevado de autonomia.” Posteriormente o autor relaciona os complexos com os arquétipos e com o inconsciente coletivo, inserindo complexos específicos como o complexo de mãe e o complexo de inferioridade, por exemplo.

Em breve adicionarei postagens a respeito dos arquétipos e do inconsciente coletivo, conceitos polêmicos e que podem gerar desentendimentos pela incompreensão do que realmente significam. Para saber mais a respeito de C. G. Jung, acesse Carl Gustav Jung – Uma Perspectiva Introdutória e História da relação entre Freud e Jung.

Fonte: Silveira, N. da. Jung: Vida e Obra. Capítulo II – Das Experiências de Associações à Descobertas dos Complexos. p. 27 a 39. 14ª Edição (1994)


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