Carl Gustav Jung – Uma Perspectiva Introdutória

Infância e Formação

Considerando seu histórico, temos que seu caminho fora ladrilhado para ser médico. Filho de pastor, Jung recebeu influência religiosa, mas não como se pode imaginar, ele via a religião como uma fraqueza no pai e simplesmente não podia suportar o dogmatismo que ele seguia. O menino Carl era mais afim com sua mãe, que tinha duas facetas principais: a de mãe, mulher de pastor, e outra que era forte e destemida.

Por mais que fosse amante da arqueologia, sua família era humilde e a carreira de arqueologista demandava demasiado capital financeiro. No entanto seu pai foi capaz de conseguir uma bolsa de estudos para o filho cursar medicina na Universidade da Basileia, onde o avô, que também se chamava Carl Gustav Jung, fora professor.

Jung chega perto de se especializar em clínica médica, contudo, ao ler o prefácio do tratado de Kraft-Ebing viu uma boa oportunidade de aliar seu gosto pela filosofia, ciências naturais e médicas em um só ponto: a psiquiatria. Concluiu seu curso em 1900, aos 25 anos. Em 10 de dezembro do mesmo ano começou seus trabalhos no famoso hospital de Burghölzli, em Zurique, sob a direção de Eugen Bleuler, grande médico que influenciou sua carreira no estudo da esquizofrenia.

Período Psicanalítico

Desenvolveu-se como pesquisador trabalhando incansavelmente como colaborador de Bleuler. Passou então a redigir suas próprias obras e foi com a primeira delas que teve o primeiro contato com o pai da psicanálise. Em 1906 envia seu Estudos Diagnósticos de Associações a Sigmund Freud que o escreve agradecendo pelo livro e dizendo que já o havia comprado. Todavia é só em 1907 que se dá o primeiro contato pessoal, quando acontece uma reunião de 13 horas ininterruptas entre os dois.

Sigmund Freud – Biografia – Resumo

Jung era considerado por Freud um “filho mais velho” e “sucessor e príncipe coroado” da psicanálise. O período que se desenrolou até 1912 fora muito frutífero no desenrolar teórico junto de Freud. Em 1909 viajaram juntos aos Estados Unidos para as comemorações do 20º aniversário da Clark University e em 1910 foi fundada a Associação Psicanalítica Internacional. Entretanto, em 1912, ocorre a cisão entre os dois teóricos com a publicação de Metamorfoses e símbolos da libido. Apesar de a relação ter sido frutífera havia discordâncias entre eles. Jung acreditava ser exagerada a concepção acerca da sexualidade de Freud e a publicação da obra de Jung, em 1912, cuja concepção de libido diferenciava-se da psicanalítica foi o atentado final para o rompimento entre os dois.

Veja mais clicando aqui.

Desenvolvimento da Psicologia Analítica

A partir de então, Jung passa por difíceis momentos de depressão até, pelo menos, 1918. Apesar de difícil ele se virou para dentro da própria psique e passou a tomar nota e mesmo gravar áudios a respeito de suas ideias e percepções a respeito do inconsciente. Em 1920 publica Tipos Psicológicos e em meados da década realiza viagens à tribos em diferentes regiões do globo para analisar o inconsciente coletivo e desenvolver o conceito de arquétipo.

Ademais participa de conferências e desenvolve novos ensaios como Arquétipos do inconsciente coletivo, Arquétipo de mãe, Simbolismo dos sonhos e o processo de individuação e A ideia de redenção em alquimia (estes dois últimos são publicados em um único volume em 1944 com o título de Psicologia e Alquimia). Em 1946 publica Psicologia da transferência, em 1955 Misterium Coniunctionis, em 1957 Presente e Futuro e em 1958 Um mito moderno. Aqui temos apenas alguns exemplos das obras deste grande autor, que em seis de junho de 1961 vem a falecer em sua casa de Bollingen.

Fonte: Silveira, N. da. Jung: Vida e Obra. Capítulo I – C. G. Jung: Vida e Obra. p. 9 a 26. 14ª Edição (1994)

0001054_ref-e1301064310968