Formação da Sociologia – Resumo

A formação da Sociologia

Formação da sociologiaO desentendimento dos sociólogos sobre sua própria ciência se deve em parte à formação da sociologia, influenciada pelos antagonismos de classes na sociedade capitalista. A conservação da sociedade ou sua mudança radical eram pontos importantes de estudo para os pioneiros, bastante influenciados por esse contexto histórico.

O antagonismo da sociedade capitalista deu origem à diversas formas de estudo, e consequentemente ao surgimento de sociologias diferentes. O nascimento dessa mesma sociedade provocou pontos de vista diferentes. Alguns gostariam de manter o estado atual das cosas, enquanto outros queriam transformar radicalmente o sistema.

Uma das tradições sociológicas, que queria defender a ordem instalada pelo capitalismo, forjou conceitos com base de conservadores. Estes últimos:

  • Contrariavam os iluministas
  • Se inspiravam na sociedade feudal (estabilidade e acentuada hierarquia social)
  • Eram contra capitalismo e sociedade industrial
  • Consideravam a Revolução Francesa um castigo de Deus
  • Defendiam religião, monarquia e aristocracia

Os conservadores estavam construindo um ponto de referência para os pioneiros na formação da sociologia ao criticar a modernidade e elaborar teorias sobre métodos de bom funcionamento da sociedade. Destaque da influência dos conservadores nos autores positivistas, como Saint-Simon, Auguste Comte e Emile Durkheim. Estes últimos vão rever ideias conservadoras e reformulá-las com intuito de defender os interesses dominantes da sociedade capitalista.

Saint-Simon (1760-1825)

Durkheim considerava Saint-Simon o verdadeiro pai do positivismo e da sociologia, atributos dados geralmente à Comte. Saint-Simon também sofreu influência dos iluministas, mas aqui fica o destaque para sua parte conservadora.

Ideias principais:

  • o problema social a ser resolvido era a restauração da ordem
  • Acreditava que o progresso econômico acabaria com os conflitos sociais e traria segurança aos homens
  • A função do pensamento social seria orientar a indústria e a produção
  • A elite da sociedade deveria ser formada por industriais e homens da ciência
  • Ciência ocuparia lugar da religião na função de conservação social (cientistas = clero)
  • Ciência da sociedade era vital para estabelecer nova ordem
  • Ciência social deveria usar métodos das ciências naturais e descobrir leis do progresso e desenvolvimento

Auguste Comte (1798-1857)

Comte foi menos original e mais sistemático que Saint-Simon, além de ter sido secretário particular deste, até o desentendimento intelectual.

Comte era inteiramente conservador, e era motivado pelo caos social vigente, em sua opinião. Acreditava na perda da força da Religião como meio de conduzir os homens, e também discordava radicalmente das ideias dos iluministas.

Para restabelecer a ordem com coesão e equilíbrio social, via como necessário a criação de um novo conjunto de crenças comuns à todos. Seu positivismo visava organizar a sociedade (contrário à filosofia negativa).

Pretendia usar procedimentos das ciências naturais, como observação e experimentação, na sua “física social”, e com isso orientar a formação da sociologia.

Emile Durkheim (1858-1917)

  • Preocupado com ordem social
  • Buscava estabelecer objeto de estudo da sociologia
  • Conferiu à sociologia reconhecimento acadêmico, colocando como disciplina em universidades
  • Discordava das teorias socialistas
  • Acreditava que a raiz dos problemas da época era causada por uma certa fragilidade moral em orientar o comportamento dos indivíduos
  • A ausência de regras mergulhava a sociedade industrial em um estado de anomia
  • O suicídio para Durkheim era um bom indício da incapacidade da sociedade em exercer controle sobre o comportamento dos indivíduos
  • Afirmava que a sociologia deveria se ocupar com os fatos sociais, exteriores aos indivíduos e coercitivos
  • Durkheim via os indivíduos como construções da sociedade. Eles já nasciam com regras prontas que determinavam como eles agiriam.
  • Positivismo de Durkheim também queria aplicar regras do estudo de ciências da natureza ao estudo social
  • A função da sociologia seria detectar e buscar soluções para os problemas sociais, sendo uma técnica de controle da sociedade e de manutenção do poder vigente

Marx e o Socialismo

Karl MarxO socialismo se colocava em posição de crítica radical, em oposição ao positivismo que pretendia a manutenção da ordem. A sociologia crítica e negadora da sociedade capitalista liga-se ao pensamento socialista, que tem maior expressão em Marx (1818-1883) e Engels (1820-1903). Seus trabalhos foram elaborados no calor da luta política, e não nas universidades.

Marx e Engels destacavam que havia transformação contínua das sociedades humanas, e que a oposição entre as classes sociais e os conflitos eram as coisas que moviam a história. Concluíram que era necessário estudar a sociedade a partir do materialismo histórico, que sugeria o estudo dos fenômenos sociais a partir da estrutura econômica, que era a base da história humana.

A função da sociologia, nessa perspectiva, era contribuir para realização de mudanças radicais na sociedade. Enquanto o positivismo via a divisão do trabalho como fonte de solidariedade entre os homens, Marx apontava como uma forma de realização de relações de exploração, antagonismo de classes e alienação.

Como contribuição do Marx para a formação da sociologia, podemos destacar o legado de aplicação do materialismo dialético ao estudo dos fenômenos sociais. Esse pensamento também inspira a sociologia a se tornar a agir na crítica a militância, desmitificando a civilização burguesa. Também influencia no compromisso de busca de uma ordem social sem relações de exploração entre classes sociais.

Max Weber (1864-1920)

Max Weber foi referência na intenção de dar reputação científica à sociologia. Ele a isolava dos movimentos revolucionários, o que ajudou na profissionalização da disciplina.

A formação da sociologia de Weber foi bastante influenciada pelo contexto intelectual da Alemanha na época, com destaque para ideias de Kant e Nietzsche, e também de Marx.

Ao contrário do marxismo, Weber não admitia que a economia dominasse todas as esferas da realidade social. Considerava o indivíduo e suas ações como ponto chave das investigações. Com isso colocava o foco da sociologia no indivíduo, e não nas instituições sociais ou grupos, fundamentos dos conservadores.

Max Weber rejeitou o positivismo no sentido de trabalhar a sociologia como as ciências naturais, pois considerava que não era a mesma coisa que estudar matéria inerte.

A obra de Weber é muito importante na sociologia, abrangendo vários temas, como direito, economia, história, religião, política, arte, e teve trabalhos importantes que falavam de burocracia. Porém, o foco central do alemão era a religião.

Weber buscava nos fenômenos da vida religiosa influências sobre a conduta econômica dos indivíduos. Seu livro “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, de 1905, é bastante conhecido e considerado por muitos um dos livros mais importantes do século. Deu importância aos puritanos na composição do capitalismo, e destacava o Calvinismo dentro da ética protestante.

Discordava de Marx quanto ao juízo de valor do capitalismo. Para Weber, não era um sistema injusto, irracional e anárquico. As grandes empresas representavam organização racional, demonstração de eficiência. Por outro lado, via na racionalização da vida no Ocidente como negativa, levando a um mundo cada vez mais intelectualizado e superficial, porém inevitável, considerando nesse ponto sua ideia de desencantamento do mundo.

Conclusões

A formação da sociologia teve momentos decisivos nas obras de Max Weber, Karl Marx, Emile Durkheim, Auguste Comte, Tocqueville, Le Play, Toennies, Spencer etc. Entre 1830 e as primeiras décadas do século XX ocorre a formação dos principais métodos e conceitos de investigação dessa ciência social.

Os clássicos da sociologia, conservadores ou radicais, buscaram explicações para as transformações da sociedade europeia, com destaque para a formação e desenvolvimento do capitalismo. Através de seus trabalhos forneceram grande base de conhecimento sobre as condições da vida humana, formas de dominação, burocratização e alienação na época moderna. Suas análises também contribuíram de forma considerável no entendimento da relação entre a história e o homem.

Referências
BRANDÃO, C.R. o que é Sociologia. Col, Primeiros passos, Brasiliense



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