Tipos Psicológicos – Extroversão vs. Introversão

Extroversão X Introversão

Um tema muito querido do público é o de Tipos Psicológicos, pois por meio das tipificações é possível compreender melhor os indivíduos da sociedade (de um grupo de amigos), ou mesmo ter maior compreensão de si mesmo. Inúmeros autores teorizaram em relação aos tipos psicológicos, contudo, para essa matéria, utilizarei meu favorito: Carl Gustav Jung.


Com a obra Tipos Psicológicos (1921), Jung criou e conceituou os dois termos com base em seus atendimentos clínicos. Você com certeza já se deparou com esses termos, principalmente se seu intuito foi o de caracterizar alguém eloquente ou tímido. Para quem tem mania de equiparar estes termos (extroversão com eloquência e introversão com timidez), cuidado, você pode estar se equivocando.

Os conceitos representam dois grandes grupos de pessoas, separados segundo suas atitudes perante o encontro ao objeto. Como assim, maluco? Os dois grupos se comportam de maneiras contrárias, no que se refere ao direcionamento da líbido (energia psíquica) – o conceito de líbido de Jung é diferente do de Freud, para mais informações a respeito do tema, acesse Libido – Os Símbolos da Transformação. Ao passo que o extrovertido direciona sua energia para o objeto, ou seja, ela flui para o objeto, para o introvertido, a energia psíquica recua diante do objeto que apresenta algo de ameaçador e desconhecido.

Exemplo

Tipos Psicológicos

Um exemplo para facilitar a compreensão do direcionamento da líbido está nos cães e gatos. Não que eu tenha lido a respeito de tipos psicológicos caninos ou felinos, mas considerando a extroversão e a introversão de Jung, observamos claramente a diferença nesses dois tipos de animais adoráveis. Não estou generalizando que são todos assim, no entanto é verificável este padrão.

Você já fez carinho em cachorro de rua? Reparou como ele fica todo abusado, doido pra pular no seu colo e ir embora contigo depois do cafuné? Pois é, a líbido do cãozinho fica toda voltada a você. Com os felinos isso é bem diferente, geralmente eles correm quando alguém se aproxima. A libido dele está voltada para dentro.

Por isso não se deve escolher entre cães e gatos. Amem os dois e não os julguem por terem jeitos diferentes de se comportar.

Voltando ao assunto…

Bem, mas e por que não podemos misturar eloquência e timidez com os dois termos? Pois ser introvertido ou extrovertido não está relacionado com nenhuma das duas características, por isso peca-se ao utilizarem os termos como sinônimos às características.

Funções Psicológicas

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Na imagem acima constatamos as quatro principais funções psicológicas observadas por Jung. Pensamento, percepção, sentimento e intuição. Na tipificação psicológica, nós possuímos um tipo de atitude (extroversão ou introversão) e funções segundo nosso jeito de ser. Dentre elas, uma é a função principal, duas são funções auxiliares e uma é função inferior (na camada inconsciente). No exemplo da imagem o indivíduo apresenta como função principal o pensamento, auxiliar é intuição e percepção/sensação com função inferior a do sentimento.

Observe que na nossa bússola metafórica as funções se opõem, assim como o norte e o sul, o leste e o oeste. E é realmente isso o que significa. O pensamento se opõe ao sentimento, ao mesmo tempo que a intuição se opõe à percepção/sensação.

Mas qual a diferença entre elas? Bem, imagine um casal que more junto. A função principal de uma pessoa é pensamento e o da outra é sentimento. Eles possuem uma árvore no quintal, o Pensamento se irrita com a sujeirada das folhas, enquanto o Sentimento adora tomar chá encostado no tronco. Ressalto que esse exemplo não seja uma máxima. A questão é que tanto pensamento quanto o sentimento são formas de pensar ou raciocinar, porém levam em conta aspectos diferentes da situação. O Pensamento cortaria a árvore sem pestanejar pensando no benefício de não ter que perder tempo com as folhas, enquanto o sentimento nem cogitaria tal barbárie.

Para exemplificar as funções intuição e sensação, utilizarei da imagem abaixo. Se eu pedisse ao função sensação tirar uma foto, ele tiraria a foto de uma única flor, devido ao seu jeito detalhista. Já o intuitivo tiraria a foto da paisagem como um todo. O sensação é observador e para ele os detalhes são de extrema valia e o intuitivo deixa-se levar por sua voz interior.

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Importante

Apesar de apresentarmos um padrão dominante (extroversão ou introversão), não quer dizer que sejamos cem por cento esse padrão. Inconscientemente a extroversão age no introvertido e vice-versa. Então há um “pezinho” de atitude não dominante na dominante.

Outra coisa muito importante está na nossa forma de visualização do mundo. O positivismo cartesiano, minado na nossa forma de construir ciência, tem como pré-requisito a indiferença do pesquisador em relação ao objeto de pesquisa. Na teoria o pesquisador deve se desprender de suas ideologias na construção do saber, todavia é impossível que isso seja realizado em sua totalidade. No momento em que o pesquisador decide por sua área de atuação ele já está inserindo sua vontade e sua percepção de mundo em sua pesquisa. Um introvertido e um extrovertido pesquisando exatamente o mesmo tópico podem apresentar resultados bem diferentes, devido à forma como enxergam o mundo.

Enfim

O tema é inesgotável. Para quem gostaria de se aprofundar nos tipos junguianos, eu sugiro que utilize o livro da Nise da Silveira “Jung – Vida e Obra” como introdução. Para aprofundamento o próprio Tipos Psicológicos de Carl Gustav Jung, o livro dele é bem complexo por isso merece uma leitura atenta e depois uma releitura. Há ainda o livro de Marie-Louise von Franz “A Tipologia de Jung.”

Fonte: Silveira, N. da. Jung: Vida e Obra. Capítulo IV – Tipos Psicológicos. p. 51 a 72. 14ª Edição (1994)


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