Estádio do Espelho na Psicanálise de Lacan (Estágio do Espelho)

O estádio do espelho ocorre quando uma criança, a partir dos seis meses, descobre o seu próprio reflexo no espelho. O bebê, então se vira para o adulto que está segurando-o e suplica que o adulto confirme com a sua expressão o que percebe no espelho, ou seja, a imagem de um domínio ainda não alcançado.

Conteúdo desse texto:

  • Estádio do espelho – resumo
  • Origem do termo “estádio do espelho”
  • Estádio do espelho a a psicologia do Outro
  • Estádio do espelho como formador da função do eu
  • Importância do estagio do espelho

Foi uma observação de Henri Wallon (1931) no contexto do seu trabalho no desenvolvimento da concepção da criança de seu “próprio corpo” que inspirou a adoção do termo estádio do espelho e sua elaboração por Lacan em particular. Confrontads com a sua própria imagem em um espelho, um ser humano de seis meses de idade, vai ficar animado, fascinado, enquanto que um chimpanzé da mesma idade vai perder o interesse assim que percebe que a reflexão é ilusória.

Lacan deu especial importância a este momento em que o Outro confirma que a imagem do espelho é a própria, pois nesse momento, a criança supostamente se torna consciente de seu corpo como um todo, mesmo integrando antes com sucesso as funções motoras e alcançando o domínio real do corpo.

O conceito do estágio do espelho foi o primeiro contributo formal de Lacan à teoria psicanalítica, apresentado no XIV Congresso Internacional de Psicanálise em Marienbad em 1936. O texto de sua apresentação não foi publicado no momento, mas ele revisitou o tema em um artigo publicado em 1949.

Chamando isso de “estágio”, sublinhou o lugar importante neste momento foi atribuído no desenvolvimento mental. Quando Lacan disse que ela ocorreu entre seis e dezoito meses, esta foi uma das raras ocasiões quando ele se refere à cronologia de desenvolvimento. Dito isto, ele também disse que o espelho “serve como um protótipo que revela outras relações entre o sujeito e sua imagem como o último é o ego do” (1954).

Entre 1936 e 1962, o conceito do estádio do espelho de Lacan sofreu uma reorientação significativa. Logo no início, Lacan foi influenciado pela psicologia da Gestalt, e o que lhe interessava, como à uma série de etólogos, era o poder da própria imagem como uma forma acabada, prenhe de significado, capaz de sustentar a identidade do bebê. Basicamente, ele queria rastrear os efeitos do imaginário sobre a formação do ego e do corpo, e a relação com a contraparte.

Quando Lacan introduziu o conceito do “outro”, no entanto, o estádio do espelho veio para indicar como o papel fundador do olhar do Outro trabalha para formar o aparelho mental do sujeito. Daí em diante a própria possibilidade do estágio do espelho pressupunha uma operação simbólica. Se tais operações faltam, o estádio do espelho não ocorre, como acontece com a criança autista, em quem não há nenhuma relação no imaginário para uma imagem corporal ou qualquer tipo de contrapartida. Começando com seu seminário sobre a transferência (1991 [1960-1961]), Lacan tomou o espelho como uma metáfora para o olhar do Outro.

Winnicott (1967) estendeu a noção lacaniana do estágio do espelho, enfatizando o papel desempenhado pelo rosto, e, especialmente, o olhar da mãe, como um espelho para a criança.


Por Marie-Christine Laznik via Encyclopedia


Referências:

Mirror Stage.” International Dictionary of Psychoanalysis. Acessado em 21 de Agosto de 2017 em Encyclopedia.com: http://www.encyclopedia.com/psychology/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/mirror-stage

Bibliografia

Lacan, Jacques (2002). The mirror stage as formative of the function of the I. InÉcrits: A selection (Bruce Fink, Trans.). New York: W. W. Norton. (Original work published 1949)

Lacan, Jacques (1978). Le Séminaire-Livre II, Le Moi dans la théorie de Freud et dans la technique de la psychanalyse (1954-55). Paris: Seuil.

Lacan, Jacques (1991 [1960-61]). Le Transfert (Jacques-Alain Miller, Ed.). Paris: Seuil.

Laznik, Marie-Christine. (1993). Pour une théorie lacanienne des pulsions. Discours psychanalytique10.

Wallon, Henri (1931, Nov-Dec.). Comment se développe chez l’enfant la notion du corps propre. Journal de Psychologie. 705-748.

Winnicott, D. W. (1967). Mirror-Role of Mother and Family in Child Development. In Peter Lomas, (Ed.), The predicament of the family: A psycho-analytical symposium. London: Hogarth and Institute of Psycho-Analysis. (Reprinted in D. W. Winnicott, Playing and Reality. London: Tavistock, 1971)

Leitura adicional

Muller, John. (1985). Lacan’s mirror stage. Psychoanalytical Inquiry5, 233-252.



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