Comunicação não-verbal ajuda no diagnóstico de Depressão

O diagnóstico da depressão normalmente é feito por meio da aplicação de questionários, ou seja, depende essencialmente do que a pessoa fala. A pesquisa que vamos apresentar aqui investiga a comunicação não verbal, ou seja, o que a pessoa não fala, como fator de diagnóstico de depressão.

Depressão Maior

A expressão não verbal inclui, por exemplo:

  • postura corporal
  • movimentos de cabeça
  • contato ocular
  • expressões faciais
  • silêncio

Método

Grupo-depressão: 100 pessoas já diagnosticadas com depressão

Grupo-controle: 83 pessoas sem depressão

Cada pessoa foi entrevistada e filmada por 15 minutos. Os vídeos foram analisados “cegamente”, ou seja, os avaliadores não sabiam quem era do grupo-depressão e quem era do grupo-controle. “Para analisar cinco minutos de filme, cada avaliador precisou em média de uma hora de trabalho”, informou Clarice Gorenstein, professora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP.

Os avaliadores verificaram a frequência de manifestação de parâmetros não verbais indicadores de depressão, e os resultados mostraram diferença significativa no comportamento dos dois grupos.

Resultados

Exemplos:

Em uma escala de 0 a 10 foram obtidos os seguintes resultados:

  • sorrisos: 2,3 para o grupo-controle e 1,0 para o grupo-depressão;
  • contato ocular: 8,4 e 6,8.
  • choro: 0,8 para grupo-depressão e 0 para grupo-controle
  • cabeça curvada para baixo: 1,8 para grupo-depressão e 0,7 para grupo-controle

“A comunicação não verbal é uma resposta reflexa. E, a menos que haja da parte do entrevistado uma determinação e uma capacidade muito fortes de controlar a linguagem do corpo, esta tenderá a expressar aquilo que não é exposto na fala, que não passa pelo crivo da fala. Principalmente no contexto clínico, a pessoa pode querer mostrar uma melhora, que efetivamente não teve, ou pode tentar esconder uma melhora, com medo de perder o atendimento. A comunicação não verbal ajudará o avaliador a formar um quadro mais realista”, argumentou Gorenstein.

Além de avaliação de expressão não-verbal, também houve aplicação de questionários-padrão para diagnóstico de depressão, que apresentaram diferença evidente entre grupo-depressão e grupo-controle.

Os indivíduos do grupo-depressão foram tratados com cloridrato de sertralina, um inibidor de recaptação de serotonina (SSRI), entre outros procedimentos terapêuticos. “No grupo-depressão, como regra, o tratamento fez aumentar a expressividade facial, a expressividade do tom de voz, a inclinação do corpo na direção do entrevistador e alguns outros parâmetros sugestivos de interesse social e afetos positivos”, afirmou Gorenstein.

Essa pesquisa pode oferecer aos profissionais de saúde critérios não verbais para a definição de diagnósticos. Transtorno depressivo ou de ansiedade compõe 50% das queixas não especificadas na procura de atendimento de atenção básica no Brasil. Um profissional de saúde pode atentar para a expressão não verbal como um indicador comportamental importante. Outra aplicação possível é mensurar a eficácia de tratamentos para depressão.

Comportamentos observados: 

Comportamentos sugestivos de interesse social e afetos positivos Comportamentos sugestivos de desinteresse social, isolamento, afetos negativos
Corpo para frente (na direção do entrevistador) Ombro baixo/encolhido
Cabeça inclinada para a lateral Cabeça curvada para baixo
Cabeça inclinada para cima Braço cruzado
Movimento afirmativo de cabeça (Fazer “sim” com a cabeça) Movimento negativo de cabeça (Fazer “não” com a cabeça)
Gestos ilustradores – movimentos com as mãos para ilustrar o que é dito Gestos adaptadores – Movimentos com as mãos de automanipulação ou manipulação de objetos, sem função clara.
Contato ocular com o entrevistador Boca curvada para baixo
Verbal-backchannel – vocalizações de interesse e concordância mediante a fala do entrevistador (ex.”hum – hum”) Boca apertada/achatada
Sorriso simétrico, considerado associado a emoções positivas genuínas Sorriso com a boca “torta” (assimétrico), considerado ambivalente, associado a emoções também negativas, como “estar sem graça”.
Rir/ dar gargalhada Chorar
Levantar sobrancelhas Franzir a testa
Falar Ficar em silêncio

 


Via Agência Fapesp.



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