Freud fala do ‘Superhomem’ de Nietzsche em “Psicologia de grupo e a análise do Ego”

Em seu livro “Psicologia de grupo e a análise do Ego” Freud cita o ‘Superhomem do futuro’ de Nietzsche no passado da humanidade

Nietzsche e Freud
Nietzsche e Freud

Várias surpresas interessantes tem aparecido na minha leitura do “Psicologia de grupo e a análise do Ego” (ou “Psicologia das massas e análise do eu”), que junto com outro texto com proporções antropológicas é o centro de um seminário de Psicologia Social a ser apresentado esse mês.

→ Leia aqui o guia de estudo de O Mal-estar na Civilização.

Em capítulos anteriores Freud já havia citado Schopenhauer, e agora, no capítulo X (O grupo e a horda primeva) o Tio Sig cita Nietzsche. Os três estão entre os meus autores favoritos, então não poderia perder a oportunidade de relacioná-los. Vamos lá:

Freud fala de psicologia de grupo e psicologia individual, e para buscar a origem delas ele retorna ao princípio da humanidade, em que os membros do grupo eram sujeitos à vínculos e representavam a psicologia de grupo, enquanto o líder era livre.

“A psicologia individual, pelo contrário, deve ser tão antiga quanto a psicologia de grupo, porque, desde o princípio, houve dois tipos de psicologia, a dos membros individuais do grupo e a do pai, chefe ou líder. Os membros do grupo achavam-se sujeitos a vínculos, tais como os que percebemos atualmente; o pai da horda primeva, porém, era livre. Os atos intelectuais deste eram fortes e independentes, mesmo no isolamento, e sua vontade não necessitava do reforço de outros. A congruência leva-nos a presumir que seu ego possuía poucos vínculos libidinais; ele não amava ninguém, a não ser a si próprio, ou a outras pessoas, na medida em que atendiam às suas necessidades. Aos objetos, seu ego não dava mais que o estritamente necessário.”

No próximo parágrafo Freud fala do Ubermensch de Nietzsche:

“Ele, no próprio início da história da humanidade, era o ‘super-homem’ que Nietzsche somente esperava do futuro. Ainda hoje os membros de um grupo permanecem na necessidade da ilusão de serem igual e justamente amados por seu líder; ele próprio, porém, não necessita amar ninguém mais, pode ser de uma natureza dominadora, absolutamente narcisista, autoconfiante e independente. Sabemos que o amor impõe um freio ao narcisismo, e seria possível demonstrar como, agindo dessa maneira, ele se tornou um fator de civilização.”

Fico devendo o post sobre a citação do Schopenhauer e outras curiosidades que possam aparecer ainda nesse livro 😉


Referências:

FREUD, Sigmund. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund de Freud. Vol XVIII. Imago, 1996. 317p.



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