Críticas do filme Laranja Mecânica ao Behaviorismo

A obra “Laranja Mecânica”, escrita por Anthony Burgess e reproduzida nos cinemas por Stanley Kubrick, conta a história do adolescente Alex, que representa três características centrais do ser humano: desejo sexual, violência e anseio pela liderança.

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Alex tem seguidores, seus droogs, que são influenciados por sua liderança. O grupo recebe certo reforço positivo quando bebem moloko (leite, na linguagem nadsat) e sentem a necessidade de usarem de uma ultra violência, que se trata de um comportamento voluntário.  Diferente da violência, o desejo sexual não precisa de reforço, nenhum integrante precisa estar drogado ou ter bebido o moloko para sentir tal desejo e praticar o velho entra e sai (termo usado no filme).

Outra característica já citada é a busca pela liderança. Alex fica irritado quando George-Boy vai contra um de seus comandos e seu reforço generalizado de aprovação social fica fragilizado, fazendo com que ele se utilize de um impulso de violência.

Em certo momento, o grupo realiza um assalto em um hotel fazenda e Alex acaba assassinando a proprietária. Seus droogs o atingem com garrafas de leite e ele se torna um alvo fácil para a polícia, que já estava a caminho. Assim, o pequeno marginal é preso e recebe uma pena de 14 anos.

Por possuir um comportamento agressivo, Alex é levado a uma clínica para um tratamento, que consiste em assistir filmes com cenas explícitas de violência (estímulo incondicionado) enquanto um medicamento (estímulo condicionado) que provoca uma terrível sensação de náusea é administrado. O procedimento é muito parecido com o experimento de Pavlov, onde o alimento era o estímulo incondicionado e o som da campainha, o estímulo condicionado, ambos levando a salivação.

Após receber alta, Alex se torna incapaz de cometer atos de violência e sente inúmeras náuseas, tidas como punição e reforço negativo. Enquanto estava ocupado sentindo náuseas ele não podia se engajar em comportamentos violentos, mostrando que comportamentos do mesmo repertório são incompatíveis, e venciam aqueles que tinham maior força. No caso de Alex, venciam as náuseas, e para se esquivar de senti-las era necessário não cometer nenhuma violência.

O filme apresenta reviravoltas surpreendentes e nos faz questionar a personalidade do protagonista, considerando e tentando pesar as diversas possibilidades apresentadas, como a influência dos pais, o ambiente, a natureza da sua violência, as tentativas de “moralização forçada”, e a eficácia do behaviorismo no controle do comportamento.

 

Fora das telas

O Behaviorismo é um alvo crítico de Burgess em sua obra, que considera o livro de Skinner, Para Além da Liberdade e da Dignidade (1971) “um dos livros mais perigosos já escritos”, e o tratamento Ludovico é visto como uma paródia da terapia da aversão, uma forma de condicionamento clássico.

Stanley Kubrick, diretor, produtor e roteirista da adaptação cinematográfica, descreveu o filme como “…uma sátira social lidando com a questão de saber se a psicologia comportamental e o condicionamento psicológico são as novas armas perigosas para um governo ditatorial usar para impor grandes controles sobre seus cidadãos, e transformá-los em pouco mais do que robôs.” (Saturday Review, December 25, 1971)

Escrito por Juliana Trevisan e Tiago Azevedo

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Sugestão de leitura

Ótimo post sobre análise comportamental do filme Laranja mecânica no blog Café com ciência.



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