A Autoeficácia (Bandura) e sua importância

O conceito de Autoeficácia de Albert Bandura

Albert Bandura realizou muitas pesquisas sobre esse tema.


O conceito de autoeficácia é descrito como o senso de autoestima ou valor próprio, o sentimento de adequação, eficácia e competência para enfrentar os problemas (Bandura, 1982).

Nas palavras do próprio Bandura (negritos meus):

“A autoeficácia percebida é relacionada com as crenças da pessoa em suas capacidades de exercer controle sobre seu próprio funcionamento e sobre os eventos que afetam suas vidas.

As crenças das pessoas em sua eficácia são desenvolvidas por quatro fontes principais de influência, incluindo experiências de domínio, ver pessoas similares a si gerenciando demandas de tarefas com sucesso, a persuasão social de que a pessoa tem as capacidades de alcançar o sucesso em certas atividades, e as inferências dos estados somáticos e emocionais indicativos de forças e de vulnerabilidades pessoais.”

Pessoas com autoeficácia alta x pessoas com autoeficácia baixa

De acordo com o trabalho de Bandura, pessoas com grau elevado de autoeficácia acreditam ter capacidade de lidar com os variados acontecimentos da vida.

Elas imaginam ser capazes de vencer obstáculos, procuram desafios, persistem e mantêm um alto grau de confiança na sua capacidade de obter êxito e de controlar a própria vida.

As pessoas com autoeficácia baixa tem sentimentos de inutilidade, falta de esperança, crença de que não são capazes de lidar com as situações que enfrentam e acreditam que têm poucas chances de mudá-las.

Frente a um problema, apresentam tendência de desistência depois da primeira tentativa frustrada. Não acreditam que sua atitude faça alguma diferença nem que tem controle e possibilidade de mudar o próprio destino.

A pesquisa de Bandura também mostrou que…

A crença no nível de autoeficácia influencia vários aspectos da vida

Por exemplo: pessoas com grau elevado de autoeficácia apresentam tendência a ter notas mais altas, a analisar mais opções de carreira, a conseguir maior sucesso profissional, a estabelecer metas pessoais mais altas e a apreciar mais a saúde física e mental, em comparação com as pessoas com baixa autoeficácia.

No geral, constatou-se que o homem tem a auto-eficácia mais elevada do que a mulher. Tanto no homem como na mulher, o pico da autoeficácia ocorre na meia-idade e diminui depois dos 60 anos.

Parece óbvio que o alto grau de autoeficácia produz efeitos positivos em praticamente todos os aspectos da vida.

As pesquisas mostraram que as pessoas com elevado  grau de autoeficácia sentem-se melhor e mais saudáveis, sentem-se menos estressadas, suportam mais a dor física e apresentam tendência ter recuperação mais rápida de uma doença ou de uma cirurgia, em comparação com pessoas com baixa autoeficácia.

A autoeficácia afeta também o desempenho escolar e profissional

Por exemplo: constatou-se que empregados com elevado grau de autoeficácia sentem-se mais realizados profissionalmente, são mais comprometidos com a empresa e mais motivados para realizar bem as tarefas e os programas de treinamento do que os funcionários de baixa auto-eficácia.

Bandura descobriu também que existe uma “autoeficácia grupal”

Os grupos desenvolvem níveis coletivos de eficácia que influenciam no desempenho de diversas tarefas.

A pesquisa com grupos – como equipes de esportes, departamentos corporativos, unidades militares, comunidades de bairro e grupos de ação política – mostrou resultados interessantes:

“quanto mais intensamente percebida a eficácia coletiva, mais elevadas são as aspirações do grupo e maior é a motivação para realizações; quanto mais intensa a persistência diante de impedimentos e obstáculos, mais elevadas são o moral e a capacidade de recuperação diante do estresse, e maior a realização de proezas” (Bandura, 2001, p. 14).


Referências:

Bandura, A. (1982). Self-efficacy mechanism in human agency. American Psychologist, 37(2), 122-147. http://dx.doi.org/10.1037/0003-066X.37.2.122
 
Bandura, A. (1994). Self-efficacy. In V. S. Ramachaudran (Ed.), Encyclopedia of human behavior (Vol. 4, pp. 71-81). New York: Academic Press. (Reprinted in H. Friedman [Ed.], Encyclopedia of mental health. San Diego: Academic Press, 1998). [Obtido em http://des.emory.edu/mfp/BanEncy.html]
 
Annual Review of Psychology 52:11-26


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