O poço do desespero: Um dos mais cruéis experimentos psicológicos

O poço do desespero foi um experimento feito com macacos rhesus por Harry Harlow, um dos mais polêmicos pesquisadores da história da Psicologia

Filhote de macaco no poço do desespero - Harry Harlow


A Psicologia nos anos 50 não era exatamente uma meia de lã como é hoje. Naquela época, foram examinadas questões como a conformidade, obediência e poder. O cientista Harry Harlow, não queria saber muito de nada disso. Ele acreditava em outra coisa: o poder do amor. Lindo né?

Infelizmente, seus métodos de pesquisa não eram tão suaves como se acredita. Para provar que as crianças precisam de amor de uma mãe, Harlow submeteu filhotes de macacos a experiências desagradáveis.

Ele criou em “O poço do desespero” (“The Pit of Despair”) / (Harlow não era bom com eufemismos), uma pequena cela de isolamento em que os macacos viveram por um ano. O poço do desespero era um poço de aço em que os animais poderiam apenas comer ou se mover.

Os resultados foram dramáticos: após a “libertação”, as vítimas eram psicóticas, depressivas e desinteressadas pelo sexo oposto.

Isso foi ruim, pois Harlow queria testar se os macacos seriam bons pais. Então ele amarrou as fêmeas a um aparelho chamado de “Rape Rack” (outro termo inventado, algo como “prateleira do estupro”), de modo que elas poderiam ainda ser fertilizadas. Os resultados tiveram pouco êxito: as mães macacos traumatizadas eram completamente incapazes de cuidar de seus filhos.

É verdade que Harlow teve pouca dificuldade em isolar e torturar filhotes de macacos: segundo ele tudo era permitido em nome da ciência. Harlow disse sobre essas mães macacos: “Nem mesmo em nossos sonhos mais tortuosos poderíamos ter concebido uma mãe substituta tão má como essas mães macacos eram”. Como sua biógrafa Deborah Blum escreveu em sua pesquisa: “a melhor maneira de entender o coração é quebrando-o.”

 

Referências

HARLOW HF, & ZIMMERMANN RR (1959). Affectional responses in the infant monkey; orphaned baby monkeys develop a strong and persistent attachment to inanimate surrogate mothers. Science (New York, N.Y.), 130 (3373), 421-32 PMID:13675765

 


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