O Século do Ego: usando as teorias de Freud para controlar as massas

O Século do Ego century of selfO Século do Ego / O Século do Eu / The Century of Self é uma série de documentários (ou um documentários em 4 artes) da BBC lançado em 2002 pelo cineasta Adam Curtis.

Em um episódio, Curtis diz: “Esta série é sobre como os detentores do poder usaram as teorias de Freud para tentar controlar a multidão em uma era de democracia de massa”.

Ele se concentra na psicanálise de Sigmund Freud e no uso de suas teorias sobre desejos inconscientes para controle das massas, com destaque para corporações incitando o consumismo e políticos tentando manipular os eleitores. Outra figura central no documentário é Edward Bernays, o sobrinho do Tio Freud que inventou a profissão de relações públicas.

O Século do Ego é divido nos seguintes episódios:

  1. “Máquinas de Felicidade”
  2. “Engenharia do Consentimento”
  3. “Há um Policial Dentro das Nossas Cabeças: Ele Precisa Ser Destruído”
  4. “Oito Pessoas Bebendo Vinho em Kettering”

Levei um tempo para terminar de ver as 4 partes, então pode ser que esqueça alguns detalhes interessantes, mas vou citar aqui pontos que achei importantes e que podem te convencer a assistir.

Resenha / resumo de O Século do Ego (2002) – BBC

Hoje nós consumimos muito por vontade, não por necessidade. É comum comprar um tênis porque é bonito e de marca ou porque representa certo estilo ou diz algo que gostaríamos de mostrar ao mundo, e não apenas porque ele protege nossos pés das pedras e cacos de vidro no chão. Mas nem sempre foi assim.

Houve um tempo em que as pessoas compravam um carro porque ele servia pra chegar na casa da vó sem cansar. As propagandas mostravam algo como “compre este carro. Ele te leva de um lugar a outro”, e não “compre esta máquina espacial com rodas aro 21 cromadas que vem com PS4 e ainda serve de motel com hidromassagem e serviço de quarto.”

Parece estanho pra quem já nasceu num mundo imerso no consumismo né? Mas essa época em que não se comprava por desejos de consumo não é na pré-história, e sim ainda no começo do século 20.

O Século Do Ego mostra como a publicidade, que uma vez visava  influenciar a escolha racional deu lugar no início do século 20 para a publicidade destinada para conectar sentimentos com um produto. Surpreendentemente, na raiz desta mudança estava o sobrinho de Sigmund Freud, Edward Bernays, que provavelmente você vai achar um cara foda ou um grande filho da p (ou os dois).

Bernays, um propagandista americano na Primeira Guerra Mundial, aplicou sua experiência em guerra e as teorias  do inconsciente do Tio Freud para o comércio em tempo de paz. Ele inventou o campo das relações públicas, popularizado comunicados de imprensa, e mudou a opinião pública sobre questões que vão desde as mulheres fumantes com a utilização de copos de papel – tudo para aumentar as vendas.

E essa parte é uma mais legais a princípio. Bernays construiu um modelo de “mulher fumante poderosa” através de propagandas. Fumar, naquela época um ato subversivo se feito por mulheres, ao mesmo tempo poderia ser um ato de empoderamento. Isso e muito mais acontece apenas na primeira hora do documentário, intitulado “Máquinas de felicidade”.

A segunda parte do documentário The Century of Self é chamada de “A engenharia do consentimento” e centra-se na ascendência da psicanálise e consolidação do poder de Anna Freud . O ponto aqui é que o inconsciente era visto como uma perigosa ameaça que precisava ser mantida sob sete chaves. A escolha racional, especialmente feita por multidões, não era confiável sob sua influência, de modo que “a orientação de cima” (nas palavras de Bernays) era necessária por parte dos líderes políticos e corporações para o bem público. A conformidade e comercialização em massa da década de 1950 reflete este ponto de vista de um público em que não se pode confiar e pensar por si mesmo.

O pêndulo balança para o outro lado na terceira parte: “Há um Policial Dentro das Nossas Cabeças: Ele Precisa Ser Destruído”. Na década de 1960 o movimento do potencial humano pregou a expressão de impulsos em vez de sua repressão. Ao comercializar produtos como um meio de auto-expressão, as empresas passaram a usar os impulsos públicos para ganhar dinheiro. Há uma discussão fascinante do filme sobre o ativismo político sendo cooptados neste processo: fazer do mundo um lugar melhor deu lugar a fazer-se melhor em formas que, não por coincidência, exigiam a compra de mais bens e serviços. Eles dão um destaque interessante para a auto-realização (sim, o topo da pirâmide de hierarquia das necessidades do Abraham Maslow) e como isso foi usado como alvo do marketing.

A parte final de O Século do Ego, chamada de “Oito Pessoas Bebendo Vinho em Kettering”, foca muito em política. Em vez de liderança política, agora temos a política liderada por grupos focais. O público consegue o que pede, como V-chips (bloqueadores de pornografia em TVs) e slogans populistas, e não o que ele precisa, como melhorias na saúde e infra-estrutura.

O próprio Freud é tratado de forma ambígua no documentário. Apesar de ter se beneficiado pela promoção de suas obras pelo seu sobrinho, ele estava desconfortável com a exploração comercial de suas ideias.

O Século do Ego tem entrevistas envolventes, imagens raras de arquivo, uma vista deslumbrante da história recente, e umas musiquinhas legais. Teve avaliação bastante positiva quando ele saiu, e apesar de ter mais de dez anos de idade, ainda tem muito a oferecer. Não quero forçar ninguém a ver, mas eu recomendo.

Eu não sou bom em resenhas de filmes, provavelmente esqueci muitas partes interessantes, mas já tenho em mente próximos artigos com temas relacionados a esse documentário, como um focando na história do Edward Bernays, o sobrinho do Tio Sig que enfiou o consumismo dentro da cabeça dos americanos e, por que não dizer, na nossa também?

 Assista o documentário O Século do Ego legendado no Daily Motion

século do ego parte 1

século do ego parte 2

século do ego parte 3

Assistir: O século do ego parte 4 legendado (Daily Motion)

 

Assista O Século do Ego no Vimeo

 

 


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