Lembramos mais se lemos para nós mesmos em voz alta. Mas por quê?

Por Bradley Busch

Dr. Seuss escreveu “quanto mais você lê, mais coisas você vai saber. Quanto mais você aprende, a mais lugares você vai”. O problema é que nos esquecemos muito do que lemos. Existe uma maneira de ler que torna mais provável lembrar das coisas?

Para responder a esta questão, os pesquisadores Noah Farrin e Colin MacLeod, da Universidade de Waterloo, em Ontario no Canadá, publicaram um estudo na Memory . Seus resultados lançam uma nova luz sobre como estudar de forma mais eficaz.

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Já é sabido que a leitura em voz alta pode ajudar a memória, mas não é claro por que: é o ato de ler, é ouvir a si mesmo falando, ou ambos? Para provocar uma separação dessas possibilidades, os pesquisadores convidaram 75 alunos para seu laboratório de psicologia e gravaram-los dizendo 160 palavras em voz alta. Neste ponto, os estudantes sabiam que estariam voltando para o laboratório em duas semanas, mas não sabiam por quê.

Quando os estudantes voltaram ao laboratório, eles estudaram metade das palavras que haviam encontrado antes, em preparação para um teste de memória iminente. Eles reviram estas palavras de quatro maneiras diferentes:

  1. eles leram 20 das palavras para si silenciosamente;
  2. ouviram uma gravação de alguém lendo 20 palavras;
  3. ouviram a gravação anterior de si mesmos dizendo as 20 palavras;
  4. e eles leram as últimas 20 palavras em voz alta para si mesmos

Os participantes varioaram na ordem em que completaram estes métodos de revisão diferentes.

O teste de memória que se seguiu foi um teste de reconhecimento, composto pelas 80 palavras que tinham acabado de estudar e as outras 80 palavras usadas (assumiu-se que estas seriam em grande parte esquecidas) duas semanas antes. Ao ver cada palavra, os alunos tinham de indicar se foi uma que tinha acabado de estudar ou não.

O método de revisão mais eficaz foi ler as palavras em voz alta na fase de estudo. Isso levou a, em média, 77% de respostas corretas (ou seja, as palavras corretamente classificadas como as que haviam acabado de estudar ou mais antigas). Em ordem decrescente de eficácia, isto foi seguido por:

  1. revisão ouvindo uma gravação de si mesmo,
  2. ouvir uma gravação de alguém dizendo as palavras,
  3. e, finalmente, através da leitura em silêncio.

Estes resultados sugerem que vantagem da leitura em voz alta vem tanto do ato de leitura quanto da experiência de ouvir a si mesmo. No entanto, a diferença entre a leitura em voz alta e ouvir uma gravação de si foi muito pequena, com apenas 3% de diferença no desempenho. A maior diferença (12%) foi entre ler as palavras em voz alta e lê-las em silêncio.

Ao discutir estes resultados, os pesquisadores usaram o termo “o efeito de produção”. Isto descreve uma vantagem de memória obtida se você diz coisas em voz alta em vez de apenas ouvir as informações. O efeito de produção é provavelmente causado pela vantagem combinada de três fatores.

  1. Em primeiro lugar, ler coisas em voz alta envolve o processamento motor, tornando-se um processo mais ativo.
  2. Em segundo lugar, quando os alunos lêem palavras, isso requer um elemento de processamento visual, que pode levar a um aprendizado mais profundo em vez de apenas ouvir.
  3. Em terceiro lugar, a leitura em voz alta é auto-referencial (ou seja, “eu disse isso”), o que pode tornar as informações mais salientes.

Quando os alunos leem em silêncio (o método menos eficaz) eles não sentem qualquer estimulação auto-referencial ou auditiva. Estes resultados também confirmam descobertas anteriores sugerindo que é vantajoso aprender a informação usando uma combinação de sentidos.

Uma revisão recente indicou que muitos estudantes gastam tempo relendo como uma forma de revisão, em vez de testar a si mesmos, o que seria mais eficaz. Se a releitura é uma estratégia que os estudantes estão usando, então as conclusões do estudo atual são importantes, pois indicam que fazê-la em voz alta provavelmente será mais eficaz do que fazê-la em silêncio.

Seria interessante ver se os resultados atuais são replicados ao utilizar materiais que os alunos têm de estudar como parte de seu curso, em vez de listas de palavras simples.

Este estudo é um passo em frente na nossa compreensão de como as pessoas podem se lembrar mais de informações. Da próxima vez que você vir a ler outro artigo brilhante como esse, tente fazê-lo em voz alta (embora seus colegas de escritório ou de quarto talvez não lhe agradeçam por isso!).


Artigo comentado — This time it’s personal: the memory benefit of hearing oneself

Post escrito por Bradley Busch  ( @Inner_Drive) para o  BPS Research DigestBradley é um psicólogo registrado e diretor do InnerDrive . Ele tem um trabalho com Premiership e futebolistas internacionais e é autor deo Release Your InnerDrive.

 





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