A Tirania da Positividade e a Obsessão com a Felicidade

Por Susan David

A mensagem dominante nas sociedades ocidentais é: Seja feliz. Não se preocupe. Vai ficar tudo bem. Basta alcançar a felicidade. Leve o seu destino nas suas próprias mãos. As pessoas próximas a você, a quem você pode contar suas preocupações, sorriem e um balão de fala flutua da sua boca dizendo: ‘Pense positivo’. Em algum lugar, um pássaro da Disney está cantando.

dr house felicidade

A psicóloga de Harvard Susan David não confia neste sistema de mensagens e preocupações no qual ela, nós e nossos filhos são moldados. Ela experimentou pela primeira vez a positividade forçada quando ela tinha 16 anos de idade e seu pai foi diagnosticado com câncer. Amigos e parentes vieram para consolar a família, e o grande sentimento foi de que, se a família apenas acreditasse, ele ficaria bem. Em retrospectiva, David vê quão prejudicial foi isso, e como impactou na capacidade de sua família estar presente, passar o tempo juntos e autenticamente abraçar a realidade, já que eles foram distraídos por sua esperança de uma cura no horizonte em vez disso.

David experimentou pela segunda vez uma tragédia através de uma amiga dela que foi recentemente diagnosticada com câncer de mama e morreu. Esta amiga descreveu sua própria experiência de sofrimento com o câncer como amplificada pelo que ela chamou de “a tirania da positividade”. Esta mulher tinha apoiada em reuniões de grupo, e ela soube em primeira mão que o pensamento positivo não salvou as mulheres que não retornavam ao grupo toda semana.

A felicidade tornou-se uma expectativa, mas David observa que não se pode esquecer que não existe um estado de ser que uma pessoa tem o direito. Como ela diz: a beleza da vida é inseparável da sua fragilidade. Os seres humanos devem desenvolver as habilidades e capacidade de lidar com tempos difíceis, não varrê-los de lado como uma falha na entrega suave de felicidade constante. Tristeza, desgosto e sofrimento não são sinais de fraqueza, e fingir que não existem essas emoções “feias” só prejudica a nossa existência e autêntica experiência de vida. Isso reduz a nossa capacidade de resistência às dificuldades futuras.

A felicidade não é o objetivo, diz ela. Se você construir sua vida em torno de coisas que tem valor intrinsecamente, a felicidade será um belo subproduto desse foco.


Via Big Think






Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.