Richard Dawkins explica o ‘Deus de Einstein’ e o afirma como ateu

Ontem postei o artigo:

Einstein, ateísmo e o Deus de Espinoza: Explicações

Nele há declarações de Einstein que poderiam servir de apoio à afirmação de que ele ele acredita em Deus, ou era um panteísta. O assunto é debatido há décadas e há quem defenda os dois lados: Que Einstein acredita em Deus e que Einstein era ateu.

Mais recentemente postei o seguinte artigo:

Einstein se afasta de Deus e se aproxima de Freud em carta de US$ 3 milhões

deus de einstein

Talvez o maior expoente do neo ateísmo, Richard Dawkins afirma que o Einstein que acredita em Deus é um mito. E tem argumentos e ferramentas interessantes para provar seu ponto.

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Traduzi (livremente) uma publicação oficial no site dele (richarddawkins.net), e compartilho logo abaixo:

“Apologistas religiosos não podem ser totalmente responsabilizados por afirmar Albert Einstein como um dos seus próprios. Ele gostava de citar “Deus” como uma metáfora poética, de forma bastante irresponsável, embora, para ser justo. Por isso, é bom ver esta carta, escrita pouco antes de sua morte, que deverá estabelecer de uma vez por todas como mito a proposta de que Einstein acreditava em Deus. Junto com várias outras fontes, esta carta finalmente confirma que Einstein foi, em todos os sentidos realistas da palavra, um ateu. Quando a carta chegou a leilão em Londres, em 2008, fiz uma tentativa fútil de comprá-la como um presente para a Fundação Richard Dawkins. Eu poderia oferecer apenas uma pequena fração do preço eventual, muito menos do que os US$ 3 milhões agora sendo solicitados como mínimo. Espero que quem ganhe este leilão exiba-a de forma destacada, com traduções em Inglês e outras línguas.

Esta carta particular expressa pontos de vista para consumo público, de uma das mentes mais prolíficas dos tempos modernos sobre os assuntos de Deus, religião e tribalismo.

Poucas pessoas tiveram acesso aos pensamentos e opiniões sem censura desta mente brilhante no que se refere às suas opiniões pessoais sobre Deus e da religião. As ideias expressas são o cume de uma vida de trabalho explorando as mais principais questões da existência. Se houvesse um guia para os candidatos de respostas, esta carta seria a introdução.

O leilão é para o original, escrito à mão, em alemão, carta e envelope, enviado em papel timbrado da Universidade de Princeton, para Eric B. Gutkind, em 3 de Janeiro de 1954, um ano antes de Einstein falecer, enviada como resposta ao livro de Gutkind “Choose Life: The Biblical Call to Revolt”.

Fonte: Albert Einstein’s Historic 1954 “God Letter” – Richard Dawkins

 


Alguns trechos do livro Deus: Um delírio onde Richard Dawkins fala do Deus de Einstein

Pág 8 – Prefácio

A própria palavra “Deus” ganha o seu aval (de Dawkins) na ressalva do “Deus einsteiniano”

Página 27

“Infelizmente, a indistinção entre o que se pode chamar de religião einsteniana e a religião sobrenatural causa  muita confusão. Einstein às vezes invocava o nome de Deus (e ele não é o único cientista ateu a fazer isso), dando espaço para mal-entendidos por parte de adeptos do sobrenaturalismo loucos para interpretá-lo mal e reclamar para o seu time pensador tão ilustre.”

Bônus: Stephen Hawking e a mente de Deus

“O final dramático (ou seria malicioso?) de Uma breve história do tempo, de Stephen Hawking, “pois então conheceremos a mente de Deus”, é notoriamente mal interpretado. Ele levou as pessoas a acreditar, erroneamente, é claro, que Hawking é um homem religioso.”

Pág 29

“Existem muitos intelectuais ateus que com orgulho se autodenominam judeus e observam os ritos judaicos, talvez pela lealdade a uma tradição antiga ou aos parentes assassinados, mas também pela equivocada e enganadora disposição de rotular como “religião” a reverência panteísta que muitos de nós destinam a seu expoente mais destacado, Albert Einstein.”

” Uma das declarações mais citadas de Einstein é “Sem a religião, a ciência é capenga; sem a ciência, a religião é cega”. Mas Einstein também disse:

 “É claro que era mentira o que você leu sobre minhas convicções religiosas, uma mentira que está sendo sistematicamente repetida. Não acredito num Deus pessoal e nunca neguei isso, e sim o manifestei claramente. Se há algo em mim que possa ser chamado de religioso, é a admiração ilimitada pela estrutura do mundo, do modo como nossa ciência é capaz de revelar.”

Parece que Einstein se contradiz? Que suas palavras podem ser escolhidas a dedo para arranjar citações que sustentem os dois lados da discussão? Não. Por “religião” Einstein quis dizer algo totalmente diferente do significado convencional. Conforme eu prosseguir esclarecendo a distinção entre a religião sobrenatural, de um lado, e a religião einsteiniana, do outro, tenha em mente que só estou chamando de delírio os deuses sobrenaturais. Seguem algumas outras citações de Einstein, para dar um gostinho da religião einsteiniana:

“Sou um descrente profundamente religioso. Isso é, de certa forma, um novo tipo de religião. Jamais imputei à natureza um propósito ou um objetivo, nem nada que possa ser entendido como antropomórfico. O que vejo na natureza é uma estrutura magnífica que só compreendemos de modo muito imperfeito, e que não tem como não encher uma pessoa racional de um sentimento de humildade. É um sentimento genuinamente religioso, que não tem nada a ver com misticismo. A ideia de um Deus pessoal me é bastante estranha, e me parece até ingênua.”

Pág 33

Há todos os motivos do mundo para se imaginar que einsteinismos famosos como “Deus é sutil, mas não é malicioso” ou “Ele não joga dados” ou “Deus teve escolha para criar o universo?” sejam panteístas, e não deístas, e certamente não teístas. “Deus não joga dados” deve ser traduzido como “A aleatoriedade não habita o cerne de todas as coisas”. “Deus teve escolha para criar o universo?” significa “Teria podido o universo começar de alguma outra forma?”. Einstein usou “Deus” num sentido puramente metafórico, poético. Assim como Stephen Hawking, e como a maioria dos físicos que ocasionalmente escorrega e cai na terminologia da metáfora religiosa. A mente de deus, de Paul Davies, parece estar em algum ponto entre o panteísmo einsteiniano e uma forma obscura de deísmo — pelo qual ele foi agraciado com o prêmio Templeton (uma grande soma de dinheiro entregue todo ano pela Fundação Templeton, normalmente para umcientista que esteja disposto a dizer algo de positivo sobre a religião).

Página 34

Meu título, Deus, um delírio, não se refere ao Deus de Einstein e ao de outros cientistas esclarecidos da seção anterior. É por isso que preciso tirar a religião einsteiniana da frente antes de qualquer coisa: ela tem uma capacidade comprovada de causar confusão. No restante deste livro falo só dos deuses sobrenaturais, entre os quais o mais familiar à maioria de meus leitores será Javé, o Deus do Antigo Testamento.

 


 



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