LSD como remédio para depressão e ansiedade? Entenda

Grande estudo observa os efeitos do LSD no cérebro em funcionamento pela primeira vez

LSD como remédio para depressão e ansiedade

As pretensões da pesquisa publicada pela revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA incluem usar LSD e outras drogas psicodélicas como remédios para depressão e ansiedade.

O efeito do LSD interessante observado no estudo é o enfraquecimento de uma série de conexões do cérebro chamada de “rede de modo padrão”. Mas que raios é essa “rede de modo padrão”?

O brasileiro Eduardo Schenberg, da Unifesp, um dos 26 autores do estudo, explica

“A rede de modo padrão é quem estrutura aquilo que consideramos o nosso estado ‘ordinário’ de consciência. É ela que nos diz o que é adequado, o que é normal”

Os cientistas acreditam que a a rede de modo-padrão é relacionada à ‘plasticidade’ do cérebro – capacidade de refazer conexões e mudar funcionalmente. Quanto mais forte essa rede, menos ‘plástico’ é o cérebro. Em crianças, essa rede é fraca, então os mini-humanos tem grande capacidade de aprender e mudar. Já em pessoas com depressão e que sofreram grandes traumas, essa rede é muito forte, tornando o sistema nervoso mais rígido, e dificultando a mudança no modo de funcionamento do cérebro.

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Como o LSD funcionaria como remédio para depressão, ansiedade e traumas

O efeito do LSD no cérebro seria desligar a rede de modo-padrão, elevando temporariamente a plasticidade dele (como é no das crianças), possibilitando uma nova moldagem da mente para resolver definitivamente problemas psiquiátricos sérios. “Parece ser um pouco como uma regressão: o paciente volta a ter uma mente de criança para curar distúrbios psiquiátricos”, diz Schenberg (o brasileiro do grupo).

É uma abordagem diferente dos antidepresivos e ansiolíticos, que mudam a parte química do cérebro, aumentando o nível de serotonina, por exemplo.

Como seria a terapia com LSD

O uso de LSD como remédio seria feito apenas uma vez, ou poucas vezes, e claro, com acompanhamento dos terapeutas durante todo o processo de ação do medicamento.

LSD X Indústria farmacêutica

O uso de drogas como LSD, psilocibina (dos cogumelos mágicos), MDMA (ecstasy) e Ayahuasca (Santo Daime) não seria uma boa opção para a indústria farmacêutica, que faturam oceanos de dinheiros com os antidepressivos e ansiolíticos atuais, que além de caros podem necessitar de uso pelo resto da vida. As substâncias naturais como LSD (ácido lisérgico) não podem ser patenteadas pela indústria.

LSD pode ser mais seguro que Prozac

O argumento mais surpreendente para usar drogas psicodélicas em vez de remédios tarja preta é a segurança. As drogas são perigosas se tomadas de qualquer jeito, mas quando administradas em ambiente adequado e com controle total, o risco é praticamente nulo. Uma vantagem é poder monitorar os efeitos do LSD no cérebro, por conta de seu uso em uma única vez ou em poucas doses, o que fica difícil com os medicamentos atuais, que agem durante anos ou décadas.

E agora, José?

Esse estudo-mãe abre espaço para vários outros estudos na área. Até agora era difícil pesquisar os efeitos das drogas psicodélicas porque órgãos científicos governamentais normalmente não autorizavam, por questões éticas. Recentemente, alguns cientistas conseguiram aprovar estudos com LSD e psilocibina com terapia em alguns casos extremos, como pacientes à espera da morte, que sofriam de angústia e depressão. Como o uso foi feito em casos terminais, os riscos das drogas foram considerados irrelevantes.

Fonte : SuperInteressante

A pesquisa com drogas psicodélicas tem potencial para resultados que modificariam radicalmente a forma de tratamento de distúrbios mentais. Talvez a etapa mais complicada dela seja exatamente a mudança na forma como se pensa as drogas, que podem mudar a a forma que pensamos, tanto para melhor quanto para pior. O pior problema é não conseguir abrir a cabeça para tentar entender novas perspectivas sobre velhos assuntos, o que é bem comum quando se trata de tabus em nossa sociedade.





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